Ela carrega entre as pernas a safra
Do amanhã, traz no ventre obeso
Guardado um ser que arfa, aceso
Qual fogo e com uma fome da Biafra.
Ela abriu as pernas para a vida
E agora cheia de graça sente
A vida grassar em si, fortalecida
Vive em dobro, e por isso está contente.
Logo estará se desmanchando em leite,
Mar dadivoso, para deleite
Do pequeno ser que nela se nutre e nada.
Mas antes lutará, gemendo obstinada
Para livrar-se da simbiótica alma gêmea,
Se contorcendo de dor, explodindo de ser fêmea.
Antonio Adriano de Medeiros