O mar sempre exerceu sobre o ser humano o sentimento de medo e de fascínio. Sempre permaneceu como um convite à contemplação ou ao impulso para a aventura. Do mar nascem histórias e lendas, mitos que povoaram a imaginação e deram à vida o sentido da beleza, da conquista e do arrebatamento diante do grande mistério.
Mar, misterioso mar. O que faz o Império te cantar?
Mais uma vez, empurrados pela força das águas, nós abraçamos este mundo líquido em constante movimento.
Tocados pelo que o mar mostra na sua superfície azul e pelo que o mar esconde em seu quintal profundo. Aqui está nossa reverência. Conchas e peixes, sereias e tesouros, mitos e crenças, tudo vem dar à praia. Nas ondas, nos casos, na prosa enredada dos pescadores. Mistérios que vêm à luz.
A inconstância do mar é a inconstância do homem. Fluxo e refluxo, movimento das marés, tormenta e calmaria, tal e qual em nossas vidas se alteram os humores.
Navegar é abrir caminhos, romper fronteiras, ganhar espaço. O Império Serrano, com leme e timão, vai a favor da correnteza, segue o destino das águas em busca do porto seguro, seu lugar merecido.
A releitura do enredo “A Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar” conduz a nau imperiana por um universo de encanto e beleza, elemento que se une ao momento favorável que o Império Serrano vive.
A garra e o ímpeto de seus componentes, somados à força e à presença que o mar representa, serão com certeza a combinação perfeita para uma navegação segura, rumo a um carnaval vitorioso.
Alcemos as velas ao mar...
Presidente de Honra Sebastião de Oliveira, Molequinho
Presidente Humberto Soares Carneiro
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Carnavalesco Márcia Lage
Enredo “A Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar".
Cores Verde e branco
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Diego Mendes 21.7894-4345 e 8223-0968 - diegomendesbr@yahoo.com.br
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Porto da Pedra
"Não me proíbam criar, pois preciso curiar! Sou o país do futuro e tenho muito a inventar!"
APRESENTAÇÃO
O enredo é a sedução da curiosidade humana, que revela o poder da descoberta que ao longo dos anos fez com que o homem alcançasse extraordinárias façanhas. Curiar é preciso, é a “doma” da sede do poder, é a influência mística e avassaladora existente em cada um de nós, é, talvez, a resposta de uma eterna questão: o que será do amanhã? O fato é que a curiosidade é o principal agente do processo evolutivo e das tendências futuras da humanidade.
Por um lado, o desejo curioso, “eu quero saber”, dá ao homem um quase absoluto domínio do desenvolvimento do mundo, e, por outro, promove “homéricas catástrofes”, que dizem respeito aos fenômenos naturais e à própria natureza humana. E você é curioso?
ABERTURA
GÊNESIS: O DELEITANTE PARAÍSO
Acredita-se na criação do universo pela graça divina... Deus criou o céu e a terra.
Deus, com sua infinita bondade, gerou vida sobre a terra, separou a luz das trevas – criando o dia e a noite. Criou o firmamento, a abóbada azul do céu, os mares, as densas florestas, o sol, a lua e os astros. E, por fim, criou os seres vivos e abençoou-os dizendo: “Crescei e multiplicai-vos”.
A terra estava assim pronta para receber o rei da criação: o homem. Assim, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, e concedeu-lhe plena autoridade para dominar sobre todas as coisas.
Mas, havia uma observância importante: que ele jamais comesse o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, para não morrer. Mas a mulher (Eva) foi induzida pela astuta serpente que afirmava: “Certamente não morrerão! Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal”.
Eis que surge o “pecado original”, a serpente apresentou o fruto ao casal (Adão e Eva), que movidos pela curiosidade, isto é, pelo forte desejo de descobrir os mistérios que envolviam o tão precioso fruto, gozaram do livre arbítrio dado pelo Criador e comeram do fruto proibido, assim decifrando o desconhecido.
1º SETOR – A DESCOBERTA DO FOGO
A sedução da curiosidade humana revela o poder da descoberta, que ao longo dos anos fez com que o homem alcançasse extraordinárias façanhas. Talvez a mais importante delas, ou a primeira, foi a descoberta do fogo.
Acredita-se que o homem, do período paleolítico, descobriu o fogo observando-o enquanto surgia espontaneamente. Aos poucos eles perderam o medo e começaram primeiramente a utilizá-lo de vez em quando e de maneira desorganizada, como fonte de iluminação e aquecimento. Para isto foi necessário descobrir como mantê-lo aceso, o que resultou provavelmente da observação de que brasas resultantes da queima natural de madeira podiam ser avivadas pela ação do vento, ou pelo sopro, fazendo a chama reaparecer.
Como produzir o fogo? Provavelmente observando, o homem primitivo notou que o atrito entre dois pedaços de madeira seca aumentava a temperatura e produzia a chama, e que o fogo aumentava com o aquecimento de galhos e/ou folhas secas.
O homem, ao descobrir o fogo, aprimora sua utilização e passa a assar carne e/ou cozinhar vegetais. Passa também a se reunir em torno do fogo, descansar e se proteger do frio e de ataques de animais ferozes. A descoberta do fogo foi o maior avanço do homem paleolítico, transformando seu modo de vida e gerando um maior entendimento e controle da natureza.
2º SETOR– A CURIOSIDADE DE PANDORA
No início da civilização, cada povo, cada sociedade, particularmente elaborava suas explicações para o surgimento das coisas, incorporando todos os fenômenos num contexto sobrenatural, místico, lendário, divino, etc.
Lenda de Pandora significa algo que pode conter, dentro de si, todas as possibilidades da criação, às vezes assustadoras, às vezes maravilhosas, mas sempre surpreendentes. Um ato decorrente do espírito curioso do homem contra as leis proibitivas criadas no mundo – essas que deveriam servir de empecilho, mas que na verdade acabaram servindo de estímulos à curiosidade. Movidos pela curiosidade, foi aberta a caixa de Pandora – que desesperada ainda tentou fechar a caixa, mas foi inútil, ela estava vazia, com a exceção da 'esperança' que permaneceu presa junto à borda da caixa.
3º SETOR – A ALQUIMIA DO SER
Pensamento Medieval
Durante a Idade Média, precisamente, no século IV, o cristianismo foi imposto como religião oficial do Império Romano, passando a assumir um papel predominante na estrutura do pensamento medieval. A maneira do homem pensar, agir e conceber nesse período era fortemente influenciado pela doutrina cristã. Entretanto, toda e qualquer teoria que não pertencesse ao grupo dominante era radicalmente combatida e muitas delas levaram seus praticantes a morrer como hereges – geralmente em atos públicos.
Tudo era proibido. Os homens, porém, sedentos por respostas elucidativas acerca dos fenômenos ocorridos com a natureza, com a vida humana, com o universo, etc., sentiam necessidade de buscar novos caminhos que levassem ao conhecimento, para melhor entender o sentido da fé cristã e, sobretudo entender o sentido de todas as coisas. No século XIII Santo Tomás de Aquino já caminhava nesta direção, quando para realizar a associação “Razão e Fé”, colocava o antros (homem), subordinado a teos (Deus); o bios (natureza) e o cosmos (universo) subordinados ao homem. E conclui: “Ora! A inteligência, a razão, provém de Deus e se Deus concedeu ao homem pleno poder para dominar sobre todas as coisas, cabe à criatura – curiosamente – desvendar todos os mistérios que envolvem a vida, a natureza, o universo...
Pelos idos dos séculos XIV e XV, os tribunais da Inquisição foram recriados sob forma de uma “Congregação da Inquisição” contra os movimentos da Reforma Protestante e contra as “heresias filosóficas e científicas” saídas do Renascimento.
Ao longo dos anos ampliaram-se as indagações, cresceram as possibilidades indagativas e investigativas e com elas emergiram fantásticos conhecimentos acerca de religião, ciência, arquitetura, arte, literatura, música, teatro e, sobretudo, na forma de pensar, ampliando os horizontes para uma nova era – o renascer de um novo mundo, onde o principal protagonista é o homem contemporâneo, pois a base para essa explosão de conhecimentos foi a revolução da “curiosidade” humana – a Renascença.
4º SETOR – A RENASCENÇA
“Homens predestinados e decididos a conhecer, a partir da ciência e das artes, os mistérios da vida...”
Renascimento é o nome que se dá ao período da história européia, caracterizado por um renovado interesse pelo passado greco-romano clássico, que vai do século XV ao século XVI. Fundamentado no conceito de que o homem é a medida de todas as coisas, o renascimento significou um retorno às formas e proporções da antigüidade greco-romana. Esse movimento artístico começou a se manifestar na Itália, no século XIV, mais precisamente em Florença, cidade que àquela altura já tinha se tornado estado independente e um dos centros comerciais mais importantes do mundo, difundindo-se por toda a Europa, durante os séculos XV e XVI.
As palavras: Deus, homem, natureza, universo, conhecimento e sabedoria à Renascença,nesse contexto, fizeram a “história da curiosidade humana”. Numa sociedade que teve suas bases construídas sobre leis proibitivas, curiar foi e será sempre preciso para que o homem continue a enfrentar os mistérios da natureza e do universo em busca de conhecimento para renascer em um novo mundo...
5º SETOR A CURIOSIDADE DO AMANHÃ
A curiosidade é um sentimento avassalador de instinto natural do ser humano. O planeta terra torna-se pequeno para conter a ânsia humana irreprimível de conhecer segredos e investigar mistérios desconhecidos.
Aqui a curiosidade é levada a extremos, o homem aguçado por esse sentimento curioso percorre diversos caminhos objetivando conhecer o futuro... Estimulado pelos instintos místicos presente em cada um de nós, é conduzido a grandes descobertas e arriscadas aventuras. Essa característica humana, talvez seja o motor que nos leva a evoluir de geração em geração; por isso, CURIAR É PRECISO!
O enredo assinala, portanto, a título de apresentação, a criatividade do homem em desenvolver a sua curiosidade, buscando através dos magos, símbolos, signos, astrologia, cartomancia, numerologia, esoterismo, jogo de búzios, etc., não só as explicações dos fenômenos que ocorrem em seu redor, mas, sobretudo, o interesse em descobrir o seu próprio futuro...
6º SETOR – O APOCALIPSE
A curiosidade do homem resulta na sua evolução ou na sua destruição? Em cinco mil anos de história esse avassalador instinto presente no ser humano proporcionou gloriosas conquistas, mas também gerou atos inconseqüentes: conflitos religiosos, guerras mundiais, permanentes ameaças de guerras, sobretudo nuclear, devido à ambição do homem. E o que diz respeito ao meio ambiente, causou poluição do ar, dos mares, dos rios, destruição das geleiras, enfim, a natureza geme! O homem interferiu no curso natural da vida, com a exploração da genética; há, ainda, outros agravantes como os surtos epidêmicos, a fome, a miséria, a violência urbana, a corrupção... Ao mesmo tempo que curiar é sinônimo de evolução é também de destruição.
7º SETOR – INVENTORES CURIOSOS...
Santos Dumont: o Pai da Aviação
A cidade da luz sobre o espírito sorridente da Belle Èpoque apaixonava-se pela ousadia de um brasileiro. Alberto Santos Dumont – o pai da aviação, que no momento de um climax entusiástico dos grandes engenhos humanos voa e controla o vôo pela primeira vez!
Thomas Edison: o Feiticeiro de Menlo Park
Thomas Alva Edison (Milan, 11 de Fevereiro de 1847 - West Orange, 18 de Outubro de 1931) foi um inventor e empresário dos Estados Unidos que desenvolveu muitos dispositivos importantes de grande interesse industrial.
O Feiticeiro de Menlo Park (The Wizard of Menlo Park), como era conhecido, foi um dos primeiros inventores a aplicar os princípios da produção maciça ao processo da invenção. Entre as suas contribuições mais universais para o desenvolvimento tecnológico e científico encontra-se a lâmpada elétrica incandescente, o gramofone, o cinescópio ou cinetoscópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão para o telefone, Edison é um dos precursores da tecnologia do século XX. Tem um papel determinante na indústria do cinema.
A genialidade de Einstain
Einstein foi um homem livre.
Einstein conclui que sobre os fenômenos gravitacionais, que não existe embaixo nem em cima no Universo, no sentido de que os objetos caíam por serem puxados para baixo na direção de um centro de gravitação. O movimento de um corpo se deve unicamente à tendência da matéria para seguir o caminho de menor resistência.
E prova, por meio de uma série de fórmulas matemáticas, a curvatura do espaço, cujo ponto principal da teoria é: a distância mais curta entre dois pontos não é uma linha reta, mas uma linha curva, pois que o Universo consiste numa série de colinas curvas, e todos os corpos do Universo caminham em redor das ladeiras curvas dessas colinas. Na verdade, não existe movimento em linha reta em nosso Universo. Um raio de luz, que viaje de uma estrela remota em direção a Terra é desviado ao passar pela ladeira do espaço que rodeia o Sol. Einstein calculou matematicamente o ângulo reto desse desvio, que foi revelado correto no eclipse de 1919.
O inventor do rádio: as ondas sonoras
Você, também, deve ter aprendido que o inventor do rádio foi um italiano chamado Guglielmo Marconi. Mas provavelmente nunca ouviu falar de Roberto Landell de Moura, o padre brasileiro responsável por fazer em 1894 (dois anos antes de Marconi) uma experiência pioneira de radiodifusão – mas que acabou menosprezado pelos registros históricos.
Landell tentou convencer o governo a financiá-lo. Seu plano incluía uma demonstração envolvendo dois navios da Marinha. Ao ser perguntado sobre a distância que os navios deveriam ficar um do outro, o padre perdeu uma incrível chance de ficar calado. Respondeu: “Coloquem-nos na maior distância possível, pois esse invento um dia permitirá até conversas interplanetárias!” Foi o suficiente para ser taxado de louco e curioso por querer falar com ETs.
Desiludido com a falta de apoio acabou abandonando a ciência e dedicando-se exclusivamente à vida religiosa. Contudo foi Marconi que patenteou seu invento em 1896 e depois criou a Companhia Marconi para usar comercialmente seu invento. Sendo, realmente, o primeiro a investir na utilização comercial do rádio.
8º A NOVA ERA – O BRASIL DA ESPERANÇA
Curiar é Preciso
Curiar é preciso. Ato de curiar gera novas invenções e atitudes para se salvar o planeta. Gera o Brasil da Esperança onde curiar significa evolução à preservação.
Neste sentido o enredo “Não me proíbam criar. Pois preciso curiar! Sou o país do futuro e tenho muito a inventar...”É a consciência coletiva para formação de um Brasil de Esperança. Do qual o rugir prodigioso do Tigre da Unidos do Porto da Pedra, no enredo, representa a fraternidade, a cidadania e a igualdade...
E é no palco desse encontro mágico e universal chamado carnaval que a Escola apresenta a sua “Nação Vermelha e Branca” – crianças e idosos, homens e mulheres revertendo o cotidiano das comunidades brasileiras através da realização de trabalhos sócio-culturais permitindo-lhes alçar vôo às novas tendências e a descoberta de novas possibilidades de vida.
Não seriam as crianças que desvendariam os mistérios do mundo? E/ou a riqueza da sabedoria humana? Tratando-se dessas referências celestiais, assim como a Unidos do Porto da Pedra faz de sua “Nação”, a divina luz de seus propósitos sociais, Brasília, esotericamente mencionada como a terra do amanhã, é a fonte da sabedoria, manto da riqueza esotérica, laço da fusão de todas as raças, credos e filosofias... É a existência da humanidade, a base de pouso da “fênix”, que de asas abertas repousa sobre do planalto central. De pedra sobre pedra, Brasília preciosa é o significado da vida eterna, é a busca incessante de um novo templo da paz entre todos os homens...
Assim, a “Nação Vermelha e Branca se tinge de Verde e Amarela e forma o “universo” dos impulsos curiosos que elevam à evolução da humanidade e à verdadeira “ciranda da vida”: um lugar místico e extraordinário, o palácio de todas as cores, chamado BRASIL!
Presidente Uberlan Jorge De Oliveira
Quadra Av. Lúcio Tomé Feteira, 290 – Vila Lage, Neves, São Gonçalo
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Carnavalesco Max Lopes
Enredo Não me proíbam criar, pois preciso curiar! Sou o país do futuro e tenho muito a inventar!
Cores Vermelha e branca
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Imprensa Luciana Sanches – (21) 8269-1336 / lucisanches@gmail.com
GRANDE RIO
"Voila, Caxias! para sempre
Liberté, Egalité, Fraternité,
Merci beaucoup, Brésil!
Não tem de quê"
No carnaval de 2009 o G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio fará uma homenagem ao ano da França no Brasil. Para tal, nossa intenção é consolidar a relação fraterna entre esses dois países que, ao longo da história, sempre tiveram uma relação próxima, preponderante, entre outras coisas, para a construção da identidade do Brasil como Nação. Os últimos anos, quer seja nas artes, ciência, tecnologia, educação ou na cultura em geral provam que a França sempre se fez presente em nosso país.
Em 2005, foi comemorado o Ano do Brasil na França e nós brasileiros fomos homenageados com uma série de eventos e atividades culturais, que proporcionaram aos franceses o conhecimento, mesmo que de forma condensada, de nossa diversidade artística. Em 2009, Ano da França no Brasil, cabe a nós receber e exaltar as mais diversas atividades culturais e artísticas francesas, retribuindo igual homenagem, mostrando assim, sua importância aos brasileiros e renovando nossas ligações com esta Nação.
E nada melhor do que o carnaval, maior espetáculo da Terra, para ser palco dessa grande festa de confraternização. Sendo assim, a Grande Rio, através do enredo “Voila Caxias! Para sempre Liberté, Egalité, Fraternité, Merci Beaucoup Brésil! Não Tem de Quê!”, pretende enaltecer os vários anos da presença francesa no Brasil, justificando a reciprocidade existente entre estes dois países.
O SOL QUE ILUMINA A CORTE...
Solte sua imaginação, pois a Grande Rio lhe convida a bailar! Entregue-se a essa inebriante festa de requinte, luxo e ostentação, da mais exuberante corte de todos os tempos, a Corte do Rei Sol. Os fogos de artifício iluminam os jardins de Versalhes! Prove dos melhores vinhos e champanhes desta corte, servidos nas taças do mais refinado cristal.
O cenário é o majestoso salão dos espelhos do Palais du Soleil! Neste salão de belezas ímpares, as imagens dos grandes personagens que marcaram a história da França se apresentam de forma atemporal num grande delírio lúdico. Observe Maria Antonieta e Luis XVI, madames como du Barry ou a de Pompadour. E como o grande anfitrião desta festa, Luis XIV, o rei que brilhava como o sol!
É nesse envolvente e fascinante “Bal Masqué” de reis e rainhas, duques e duquesas que nossa história vai começar! O girar dos espelhos do imponente salão faíscam não só os reflexos dos grandes lustres que o compõe, mas aproveitam também para nos abrir um portal para o encanto da desconhecida Terra Brasilis.
OS ENCANTOS DE UMA TERRA CHAMADA BRASIL...
...E a França se encantou pelo Brasil! Fato nada estranho já que por aqui fervilhava uma abundante e exuberante fauna e flora, como bem descreveu Jean Lérry. Seus escritos sobre o Brasil refletiram de maneira singular nossas belezas tropicais.
Seus olhos de certa forma foram os olhos da França e o primeiro encanto veio na travessia, com os cardumes de peixes que saíam do mar e se erguiam voando fora d’água! Em terra firme a beleza plumária e pictórica dos índios tupinambás seduziram seu olhar. As belas aves e o colorido dos frutos tropicais também contribuíram para esse encanto!
Não foi só o “esplendor natural” que causou encanto... A madeira usada para tingir era objeto de cobiça e muito renderia àqueles que pudessem obter o monopólio comercial desta árvore. Portanto, o escambo foi o meio encontrado para que, de um lado os franceses levassem o pau-brasil, e os índios, por sua vez, ganhassem espelhos e outras quinquilharias (colares, pentes e miçangas).
Além do encantamento com a beleza natural e com a possibilidade de lucros explorando o pau-brasil, a sensualidade de nossas índias tupinambás quase fez cair por terra o sonho da França em se estabelecer na nossa baía. A França Antártica por pouco não virou pesadelo!
Mesmo contendo algumas controvérsias, foi gostoso esse contato com o francês! Foi por causa dele que a cidade maravilhosa surgiu. A possibilidade de se perder território para Villegaignon fez com que o clã dos Sás expulsasse o “perigo” para longe. E assim sendo, depois da “saída à francesa”, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada no dia 1º de março de 1565.
A LUZ DE UM NOVO TEMPO...
Esse contato entre França e Brasil rendeu lucros muito maiores do que aqueles meros “tostões” que a Coroa francesa lucrava com o contrabando do pau-brasil. As experiências de vida dos índios brasileiros cunharam, ainda que posteriormente, o terreno político da França e serviram de base para a Revolução Francesa, ou seja, a liberdade, a igualdade e a fraternidade dos nossos tupinambás se transformaram, através dos ensaios de Montaigne, no lema Liberté, Egalité e Fraternité dos sans culottes, que não eram índios!
Os devaneios de uma excêntrica rainha, somados aos privilégios de um clero secular fizeram surgir o descontentamento de uma esfera social, o dito 3º estado francês composto, em sua maior parte, pelo povo e pela ascendente burguesia. Estes se rebelaram contra os tais privilégios e assim se fez a Revolução!
A Revolução Francesa irradiou-se como “fachos de luminosidade” que refletiram de certa forma em outros lugares. Mesmo que, num primeiro momento, essa irradiação não tenha sido suficiente para deflagrar movimentos arrebatadores como o de 14 de julho de 1789, ao menos serviu para mostrar que as coisas poderiam mudar, ou que estavam em processo de mudanças. Na região das Minas Gerais do século XVIII, a “luminosidade revolucionária” inspirou a Conjuração Mineira, que buscava uma mudança na ordem interna da província. Na Bahia de Todos os Santos, os ideais revolucionários da França foram absorvidos pelas classes mais populares. A Conjuração Baiana, ou Revolta dos Alfaiates, agregou em torno das idéias de igualdade, uma massa de destituídos de direitos: ex-escravos, soldados, alfaiates e outros mais. Esses foram os reflexos da Revolução Francesa no Brasil, onde os ideais de liberdade guiaram o povo, tal como retratou, numa sublime inspiração, Eugéne Delacroix.
ARTE COMO MISSÃO...
A Revolução Francesa e seus desdobramentos fizeram com que uma grande leva de artistas, totalmente sem ambiente de trabalho em solo pátrio, migrasse para outros lugares levando em sua bagagem as novas tendências artísticas do século XIX, o Neoclassicismo.
Esta mesma Revolução foi a responsável também por tirar de seu território, uma corte inteira! D. João se transferiu para o Brasil, trazendo consigo toda uma corte com seus hábitos, costumes e tendências, que por sua vez, não encontrariam um ambiente favorável na colônia. O destino começou a conspirar a favor desses ditos “destituídos de pátria”. D. João recebeu de portas abertas a Missão Artística Francesa, em terras brasileiras. Agora o novo reino passaria a ter requinte e os artistas teriam muito que retratar!
Em território tropical desembarcaram, entre outros artistas, escultores, arquitetos e pintores, em especial Jean-Baptiste Debret. Ele soube, com seus pincéis, matizar muito bem a essência mulata dessa colônia tropical. De suas telas só não foi possível captar os sons dessa corte mestiça na América, a primeira e única da história mundial! A arte missionária dos franceses fez florescer no Brasil do século XIX, o gosto pelo requinte europeu. E, é a partir da missão francesa que os alicerces para a Escola de Belas Artes se configuraram, consolidando a base para a construção de uma arte mais nacional!
Presidente de Honra JAIDER SOARES
Presidente HÉLIO RIBEIRO DE OLIVEIRA
Quadra Rua Wallace Soares, 5 e 6 – Duque de Caxias - RJ
Telefone Quadra (21) 2671-3585
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Telefone Barracão (21) 2276-2900
Carnavalesco Cahê Rodrigues
Enredo "Voilà, Caxias! para sempre Liberté, egalité, fraternité, Merci beaucoup, Brésil! Não tem de quê!".
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Imprensa Avelino Ribeiro – Tel.: 21- 9643-7937 avelinoandresa@ig.com.br
Salgueiro
"Tambor"
Da Natureza. Da Pré-história.
De árvores, troncos e peles.
Que vibra, comunica.
Que pulsa. Dá ritmo à vida.
Tocado, dobrado, sentido.
Ancestral, ritual.
Dos deuses.
Tribal, africano.
De raiz, da raça, da cor.
De culturas. De povos.
Do Oriente, do Ocidente.
Da arte e do vigor.
De História. De glórias e vitórias.
De crenças e mitos. De celebrações.
Místico. Sagrado.
De cultos e religiões.
De fé, de festa.
Que cura a alma e alegra o corpo.
Folclórico.
De Caboclinho, Ciranda e Bois.
De Crioula. De Ijexá.
Da coroação. Do Maracatu.
Da Marujada, Congada, Carimbó.
Do Maculelê, Jongo e Caxambu.
Do Reisado, do Forró, do Xaxado.
De Roda. Do Partido. Do Quintal
Moderno, contemporâneo.
Da inclusão. De lata.
Olodum, Afroreggae, Timbalada.
Do Carnaval, das escolas, das baterias.
Repiques, pandeiros e caixas.
Taróis, tamborins, surdos de marcação.
De magia. De samba.
Furioso. Dos Mestres. Do Mestre.
Da Academia.
Do Mundo.
Da Vida.
Do Coração.
Tambor.
Presidente Regina Celi Fernandes Duran
Quadra Rua Silva Teles, 104 - Andaraí - Rio de Janeiro - RJ – CEP 20541-110
Telefone Quadra (021) 2238-9226 – fax: 2238-0389
Barracão Cidade do Samba (Barracão nº 08) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290
Telefone Barracão (21) 2223-1110 / (21) 2203-0897
Carnavalesco Renato Lage
Enredo "Tambor".
Cores Vermelha e branca
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Imprensa Flávia Cirino – Tel.: (21) 9813-8917 - flavia.cirino@salgueiro.com.br
Vila Isabel
"Neste palco da folia, é minha Vila que anuncia: “Theatro Municipal - A centenária maravilha"
Muito prazer. Meu nome é João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto. Mas fiquei conhecido mesmo pelo meu pseudônimo: João do Rio, o mais carioca dos cariocas. Fui escritor e cronista, com passagem por importantes jornais como O País e a Gazeta de Notícias. Fui romancista, e publiquei diversos livros, sendo por isso convidado para assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Fui autor de diversas peças de teatro e presidente da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Mas, a minha grande paixão era perambular pelas ruas da cidade, como um flâneur, para poder compreender a sua verdadeira “alma encantadora”.
Vivi num momento muito especial dessa metrópole nacional, quando ela ainda era a capital federal. Governava o país o Sr. Rodrigues Alves e era desejo seu transformar a cidade na capital do progresso. Para isso, escolheu o Sr. Pereira Passos como prefeito do Distrito Federal (1902-1906), lhe dando a missão de transformar a cidade do Rio de Janeiro num cenário que mostrasse aos olhos do país inteiro e aos olhos do mundo que a República trouxera, de fato, tempos novos. O Rio deveria ser transformado numa espécie de cartão-postal da era moderna que a República pretendia trazer para o país.
Aquele foi um momento decisivo. A cidade mantinha aspectos ainda do período colonial, com ruas estreitas, iluminações precárias e mal cheirosas, e aquele casario que formava “um agrupamento de telhados mais ou menos pombalinos, feio, sujo e torto”. Visando então alterar esse cenário, o presidente e o prefeito deram início ao conjunto de obras que transformariam o Rio de Janeiro, cidade colonial, numa cidade moderna. O velho centro sofreu uma série de modificações que se assentaram na remodelação e ampliação do porto, higienização, saneamento, assim como na abertura de avenidas, praças e jardins.
E teve início o “bota-abaixo” ordenado pelo prefeito demolidor, um “Haussmann Tropical”. A capital da República virou uma loucura! A cidade parecia um grande canteiro de obras. Tudo mudava. As velhas casas da capital vinham abaixo. No lugar delas, um imenso boulevard parisiense rasgou o centro da cidade, a Avenida Central, arrasando quarteirões e mais quarteirões, derrubando os cortiços, destruindo os quiosques e desalojando a moradia e a diversão da população pobre da cidade. Muitos diziam que o barulho das demolições era um hino triunfal ao progresso.
O Rio civiliza-se!!!! A construção da grande avenida fez surgir uma nova paisagem. Por ela andavam homens trajando paletós de casimira clara e usando chapéu de palha, acompanhados de senhoras finamente vestidas com toaletes de nítida inspiração parisiense, desfrutavam os tempos eufóricos da Belle Époque. A “boa sociedade” carioca, depois de um agradável passeio pela nova avenida, dirigia-se para a Cavet ou para a Colombo para conversarem em francês, tomarem chá, ou se deleitarem com finos vinhos e iguarias da cuisine française.
Fachadas e prédios eram erguidos como símbolo do cosmopolitismo e da modernidade. E, foi então, na febre das edificações, que o prefeito Pereira Passos pensou na construção de um grande teatro, sonho do comediógrafo Arthur Azevedo, que tanto clamou pela criação de uma companhia teatral nacional, subvencionada pela Prefeitura Municipal, nos moldes da Comédie-Française.
Nada mais belo do que aquele que foi a inspiração máxima da arquitetura francesa em nossa cidade: o prédio do Theatro Municipal, uma réplica menor do teatro Ópera de Paris, em estilo eclético. Um verdadeiro símbolo da modernidade em pleno centro do Rio de Janeiro. O sonho de transformar a capital da República numa “Europa possível” concretizava-se.
Aberta a concorrência pública para a apresentação dos projetos para a construção do edifício, dois empataram. Eram os de codinome Isadora e Aquilla. Este último pseudônimo ocultava a figura de Francisco de Oliveira Passos, filho do prefeito, cujo projeto, após sofrer algumas modificações foi o escolhido. Mas, a Revolta da Vacina, que transformou as ruas do centro da cidade num verdadeiro caldeirão social, não permitiu que as obras se iniciassem imediatamente.
Inaugurado a 14 de julho de 1909, data das comemorações do dia nacional francês, a nova casa de espetáculos coroava o Rio de Janeiro numa vitrine da cidade moderna. Aquela noite foi inesquecível para todos os cariocas!!! Eu estava lá!!!
A estréia foi aberta com o hino nacional brasileiro cantado de pé por todo o público presente. A seguir, ouvimos de Olavo Bilac, um dos maiores poetas brasileiros, o discurso inaugural. Logo imediatamente, assistimos a apresentação de duas óperas nacionais: Moema e Insônia. Além da comédia em um ato, Bonança.
No ano de 1910 resolveu-se encenar Aída, de Verdi. Um espetáculo memorável, com aqueles cenários e figurinos deslumbrantes do Egito Antigo!!! Essa foi a primeira das grandes óperas encenadas no Municipal, a primeira de tantas outras que fariam história naquele palco nacional.
Não podemos nos esquecer dos grandes concertos desta casa. No início, as companhias e orquestras estrangeiras, especialmente as italianas e francesas, eram as que se apresentavam. Com a criação da Orquestra Sinfônica Municipal do Rio de Janeiro, em 1931, passamos a ter a apresentação de um acorde genuinamente nacional, com grandes apresentações, desde um Villa-Lobos a um Francisco Mignone e pela voz da “la piccola brasiliana” Bidú Sayão.
Os mais célebres espetáculos de ballet foram apresentados de forma memorável naquele palco. A companhia Ballets Russes, com o espetacular Nijinsky, foi uma das primeiras a se apresentar. A pioneira para a criação de uma escola de dança do Brasil sediada no próprio Teatro foi Maria Olenewa. Desse marco fundador em diante, um repertório de grandes bailarinos tem se destacado na dança brasileira. Inovadora foi a atuação de Mercedes Batista, a primeira bailarina negra do Municipal, que uniu a formação erudita do ballet clássico com a cultura negra, criando o ballet afro.
As mais relevantes companhias nacionais de teatro, com as nossas grandes estrelas, subiram ao palco do Municipal, aprendendo e ensinando a representar. Lá estreou a peça que revolucionou nosso teatro, Vestido de Noiva, do sempre lembrado Nelson Rodrigues, dirigida por Ziembinski, com cenários do primeiro cenógrafo moderno brasileiro, Santa Rosa. Revolucionária também foi a montagem de Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes e músicas de Tom Jobim (formando uma dupla que fez nascer aí o embrião da bossa nova). A peça foi interpretada somente por atores negros, cujo protagonista foi Haroldo Costa; os cenários eram de Oscar Niemeyer.
Ah, o carnaval!!! Eu falei o carnaval!!! O Municipal e o carnaval sempre estiveram bem juntinhos. Os primeiros seis grandes bailes de máscaras foram realizados no Salão Assirius, restaurante que já foi Museu dos Teatros e até cabaré onde se apresentou Pixinguinha, do grupo Os Oito Batutas. O local mais excitante do Municipal, uma obra magnífica inspirada na arte persa!!! Mas, o primeiro baile oficial só aconteceu em 1932. Deslumbrantes foram os concursos de fantasias que revelaram grandes nomes de destaques para o carnaval carioca. Fatos marcantes e personagens lendárias da cidade ficaram registrados na história desses grandes eventos carnavalescos.
A tríade de carnavalescos “Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãozinho Trinta” foi responsável pelas mais belas decorações de carnaval do teatro, assim como por cenários e figurinos de óperas e ballets. Eles também foram os “revolucionários” da estética do desfile das Escolas de Samba, emprestando a sua formação erudita para engrandecer a maior festa popular do mundo. Sua arte ninguém jamais se esquecerá!!!
Patrimônio carioca, onde o erudito e o popular se cruzam, o Theatro Municipal está completando cem anos. Essa maravilha do Rio é um produto máximo da nossa cultura. Eu, João do Rio, que vivi o início de tudo, despeço-me de todos vocês, acreditando ter cumprido a missão de apresentar o centenário dessa casa de espetáculos genuinamente carioca. Vamos comemorar e por deveras de pé aplaudir. Com a Unidos de Vila Isabel, que presta essa homenagem, um forte brado, numa só voz exaltar: BRAVO! BRAVO! BRAVO!
Carnavalescos: Alex de Sousa & Paulo Barros
Autores do enredo: Alex Varela (historiador) & Alex de Souza
GLOSSÁRIO:
Flâneur – Pessoa que passeia ociosamente, no caso, perambula, registrando tudo o que vê.
Haussmann – Barão Georges-Eugène Haussmann (1809-1891), prefeito de Paris, responsável pela reforma urbana da cidade entre 1853 a 1870, tornando-se referência mundial. A reforma urbanística da cidade do Rio de Janeiro empreendida pelo prefeito Pereira Passos teve como modelo a da cidade parisiense executada por Haussmann.
Cuisine française – Expressão que faz referência à culinária francesa.
Comédie-Française, ou Théâtre-Français – Único teatro estatal francês, e um dos poucos que têm uma companhia permanente de atores.
“Revolta da Vacina” – Movimento de protesto popular, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro em novembro de 1904, contra a lei de vacinação obrigatória para acabar com a varíola proposta pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), então Diretor Geral de Saúde Pública da Capital Federal. O movimento conseguiu que o presidente Rodrigues Alves revogasse a lei que tornava a vacina obrigatória e autorizou que os institutos de vacinação imunizassem apenas os que desejassem.
Nijinsky – Vaslav Nijinsky (1890-1950) foi um dos maiores gênios da dança de todos os tempos.
(Texto divulgado à Imprensa)
Presidente Wilson Vieira Alves
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Carnavalesco Alex de Souza e Paulo Barros
Enredo "Neste palco da folia, é minha Vila que anuncia: Theatro Municipal - A centenária maravilha".
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Imperatriz
"Imperatriz... só quer mostrar que faz samba também!"
Basta um rápido olhar sobre o presente para constatar a importância de Ramos na geografia carioca do samba. São deste bairro uma das principais escolas de samba, um dos principais blocos, o Cacique de Ramos, e um dos principais grupos - O Fundo de Quintal. Mas essa realidade de hoje tem origem num passado culturalmente rico, extremamente musical, marca da região da Leopoldina.
O bairro surgiu com a chegada do trem em 1886, quando a Estrada de Ferro do Norte, futura Leopoldina Railway, precisava de passar no meio das terras que haviam pertencido ao capitão Luiz José Fonseca Ramos. Seus descendentes concordaram com a obra, desde que fosse criada uma parada bem ali, na fazenda, para facilitar a vida da família. Nasceu então a Parada de Ramos, e com ela o nome do bairro, que começaria a ganhar ruas, luz e esgoto, na virada do século.
Ramos foi deixando rapidamente de ser uma vila rural, tornando-se um centro metropolitano. Surgem as primeiras ruas: professor Lacê e Uranos, entre outras. Nelas, foram construídos os primeiros casarões.
A praia de banhos era a praia de Ramos, também conhecida como Mariangú, nome de ave abundante no local. O balneário tinha até cabines para troca de trajes de banhos e uma elegante avenida beira-mar. A Praia de Ramos, única da região da Leopoldina, era um lugar muito aprazível, com seus cajueiros e caça aos caranguejos, além dos banhos de lamas medicinais, pouco a pouco foi abandonada... sobrevive apenas na memória de quem um dia conheceu a "Copacabana do Subúrbio".
O samba sempre teve presença forte em Ramos. No início, ainda não era o que chamamos de samba, mas já era um carnaval de rua fortíssimo. Na fecunda década de 1910, foram criados, sob inspiração dos ranchos, os clubes carnavalescos Prontos de Ramos (Promptos de Ramos) Ameno Heliotropo e Endiabrados de Ramos. Mais tarde, entre 30 e 50, quando o carnaval já era sinônimo de samba, os blocos então mais conhecidos da região eram: Sai como pode, o Razão de Viver, o Paixão de Ramos e o Paz e Harmonia.
Outro bloco, o Recreio de Ramos, recebeu até o luxuosíssimo auxílio musical do maestro Villa-Lobos, assíduo freqüentador do bairro, por causa dos encantos de uma moça, com a qual se casaria, D. Lucília Guimarães. Villa-Lobos aderiu entusiasticamente ao bloco Recreio de Ramos, muito bem acompanhado por Pixinguinha, Mano Décio da Viola, Heitor dos Prazeres, Marçal e Bide. Inclusive o primeiro sucesso da dupla, surgiu no Recreio de Ramos, quando cantavam a primeira estrofe do grande sucesso - agora é cinza... O Bloco chegou a ser campeão, com o enredo sobre Machado de Assis: Que conseqüência teve o Bloco Recreio de Ramos?
Uma foi direta - o aparecimento do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. A escola nasceu de uma dissidência do bloco, combalido, no final da década de 50. Foi o farmacêutico Amaury Jório que reuniu um grupo de foliões do bloco e assim criaram a escola de samba de Ramos. A novata Imperatriz, alcançou notoriedade em 1972, ao servir de cenário para a novela Bandeira Dois, de enorme sucesso. A história tratava do amor de dois jovens, filhos de famílias inimigas. Uma livre adaptação da imortal história de Shakespeare - Romeu e Julieta. Nesta história, Zé Catimba, compositor da Imperatriz, foi representado por Grande Otelo. Quem não se lembra de trechos da música, que tocava na novela? Lá, lá, lá lá lauê fala Martim Cererê.... Embora a trama de Dias Gomes tenha obtido muito sucesso, foi a partir de 1980, com a chegada de Arlindo Rodrigues, contratado como carnavalesco da escola, que ela chega ao patamar tão almejado de campeã do Grupo Especial, superando as tradicionais Portela, Mangueira, Império Serrano e Salgueiro.
Arlindo deu à Escola, dois títulos (com um tema sobre a Bahia e outro, sobre Lamartine Babo - respectivamente com os títulos de "O que é que a Bahia tem" e "O teu cabelo não nega" e muitos outros carnavais inesquecíveis, colocando a escola no patamar das grandes campeãs.
O sucesso foi adiante, com seu substituto, Max Lopes, e mais um primeiro lugar com o enredo sobre a Proclamação da República, a que se deu o nome de "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós", campeã no ano em que a Beija-Flor desfilou com seus Ratos e Urubus, de Joãozinho Trinta.
Viriato Ferreira, foi o carnavalesco de 1991, conquistando um honroso terceiro lugar. Por motivo de saúde, chamou Rosa Magalhães, com quem fez parceria até 1993.
A escola continuou conquistando títulos em 1994, 95, 99, 2000 e 2001.
Este ano chega a maturidade, completando meio século de existência, com oito campeonatos, conquistados com a garra de seus componentes, a dedicação de seus diretores e sobretudo com a inspiração de seus compositores.
Ramos brilha no carnaval com sua escola de samba, com seu bloco mais famoso, o Cacique de Ramos e com o grupo mais conhecido, o Fundo de Quintal.
Pois que viva a Imperatriz, por seu aniversário e que Viva Ramos, celeiro de bambas!
Rosa Magalhães - Carnavalesca
Bibliografia Consultada:
Livro produzido pela ala dos compositores do G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense segunda edição - tiragem limitada. 2006.
Geografia Carioca do Samba- Luiz Fernando Vianna
Editora Casa da Palavra – Coordenação João Máximo.
Acervo da Liesa – Centro de Memória – Coordenação: Hiram Araújo.
http://www.museudapessoa.net/sescrio/artigos_penha.shtml
(Texto divulgado à Imprensa)
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Carnavalesca Rosa Magalhães
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Imprensa Ludmila Aquino – Tel.: (21) 2233-5495 / 9357-4966
Mocidade
"A Mocidade apresenta:
Clube Literário – Machado de Assis e
Guimarães Rosa... Estrelas em poesia!"
A Academia Brasileira de Letras é, antes de tudo, a casa da memória. Apesar do prestígio que alcançou – fato único para uma instituição cultural – na sociedade brasileira, apesar da maciça programação de conferências, cursos, publicações, concertos, artes cênicas, que oferece ao público em todas as áreas do conhecimento e da sensibilidade, a sua maior missão e característica é a preservação da memória intelectual brasileira, sem a qual ela não seria a dispensadora daquela “glória que fica, eleva, honra e consola” de que falava Machado de Assis em texto célebre.
O presente ano, tão rico em efemérides, tem para esta Casa a importância única de ser o do centenário da morte do seu patrono e um de seus fundadores, Joaquim Maria Machado de Assis. A Academia Brasileira de Letras é, por antonomásia, a Casa de Machado de Assis, como a Academia Francesa é a Casa de Richelieu, e, sob este aspecto, ela nasceu sob um signo mais exclusivamente literário do que aquela na qual se espelhou.
Em pouco mais de um ano, de junho de 1908 a agosto de 1909, ocorreram três datas máximas na história da prosa no Brasil, uma de júbilo e as outras duas lutuosas, que são, respectivamente, o nascimento de João Guimarães Rosa, o falecimento de Machado de Assis e a morte trágica e precoce de Euclides da Cunha. Entre as duas se situa a despedida do grande mestre do Cosme Velho, deixando-nos uma obra vasta e magistral, marca de uma existência plenamente cumprida, para além de todas as dificuldades, uma existência que significa a vitória do gênio e do esforço humanos, grande exemplo moral que nos legou, juntamente com a obra, o maior escritor brasileiro de seu século.
Cícero Sandroni - Presidente da Academia Brasileira de Letras
PRELÚDIO (1º ATO): “O NASCIMENTO DA ESTRELA MÍSTICA LITERÁRIA”
Os inconfundíveis versos dessa estrela que brilha de uma fusão incandescente viajam em um tempo luzente, riscam o céu com a mesma intensidade de uma estrela cadente e iluminam a nossa querida Mocidade Independente.
Renascem em um sonho acordado e promovem a fusão de três corpos iluminados, que surgem no universo de uma explosão, resistindo ao calor da fricção. E em uma velocidade estonteante cruzam, para além do cosmo, a caminho do planeta Terra.
Com a força do tempo, os corpos iluminados vindos do firmamento - a Estrela da Mocidade Independente de Padre Miguel, Joaquim Maria Machado de Assis e João Guimarães Rosa - chegam, sob encantamento, ao encontro mágico e universal chamado Carnaval.
Fundem-se em uma só estrela, em um único foco de luz que irradia alegria, como se o astro rei, o Sol, fosse a sua única fonte de energia; orquestram-se em uma ópera popular, desfolhando-se em literatura, poesia, história e fantasia, que em forma de samba tudo se traduz. A estrela de luz da Mocidade nos conduz ao Clube Literário Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrelas em poesia!
Abram-se as cortinas... Aplausos!
Em uma celebração sem igual, a Mocidade Independente de Padre Miguel narra esta ópera inspirada em Joaquim Maria Machado de Assis e João Guimarães Rosa e apresenta o enredo do seu samba na seqüência de sete ATOS:
2º ATO: “MACHADO DE ASSIS – SUA VIDA EM VERSO E PROSA”
Machado de Assis é personificado em verso e prosa. Encanta-nos fazendo da literatura sua batuta. À frente de seu tempo tudo via, tudo lia, tudo sentia, e com autodidatismo a vida lhe presentearia... Lendo, o encanto toma conta dos olhos, como em Memórias Póstumas de seu personagem, Machado ressurge das páginas da história de sua própria vida e nasce em 21 de junho de 1839: pobre, no morro do Livramento, filho de uma lavadeira portuguesa (Dona Maria Leopoldina Machado de Assis) e de um pintor de paredes mulato (Francisco José de Assis). O destino do menino Joaquim Maria não prometia muito.
Todo o período que medeia a morte de sua mãe, quando de seus 6 anos de idade, e a sua estréia literária, aos 15, é extremamente obscuro. Diz-se que foi caixeiro por poucos dias, não se adaptando ao comércio; sacristão da igreja da Lampadosa e que, com uma doceira francesa, aprendeu o francês, fatos todos que podem ser perfeitamente verídicos, mas que infelizmente não deixaram traço documental. O importante é que nesses anos obscuros, e que, ao que tudo indica, assim permanecerão, os olhos de menino do morro do Livramento começaram agudamente a esmiuçar o universo, a vida, os homens e suas misérias.
Mas a determinação e a paixão pelo conhecimento, de quem não tivera sequer acesso à escola regular, fizeram dele um dia MACHADO DE ASSIS – o maior escritor do país. A genialidade do jovem Joaquim Maria Machado de Assis desponta com o avançar do tempo. Supera com absoluta discrição todos os obstáculos físicos e sociais (ele era epilético, gago, mestiço). Em 3 de outubro de 1854, escreveu seu primeiro poema, o soneto “À Ilma. Sra. D. P. J. A”, obra ainda canhestra saída na Marmota Fluminense. A este se seguiu, com a data de 6 de janeiro de 1855, outro intitulado A palmeira.
Contudo, possivelmente com profundo orgulho renovado, via o adolescente um outro trabalho seu publicado, com o seu último sobrenome em letra de forma, o poema “Ela”, saído na mesma Marmota Fluminense de Francisco de Paula Brito, e que assim principiava:
“Seus olhos que brilham tanto
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza com meiguice e com primor”
Memória do Largo do Rossio...
O centro da vida literária carioca durante a juventude de Machado de Assis ficava no Largo do Rossio, ou praça da Aclamação, a atual praça Tiradentes. Na década de 60 do século XIX, era na praça, na loja de Paula Brito – editor, livreiro, poeta e jornalista, proprietário da Tipografia Dois de Dezembro -, o ponto de reunião preferido dos homens de letras e dos aspirantes a tanto. Nestes encontros, dos quais sairia a célebre Sociedade Petalógica, pontificavam nomes já consagrados como Laurindo Rabelo, o Poeta Lagartixa; Joaquim Manuel de Macedo, autor de A moreninha; Melo Morais Filho, autor de Os Ciganos; Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias; entre muitos outros. A esse grupo se uniu o jovem Joaquim Maria Machado de Assis, assim como um poeta fluminense de mesma idade, Casimiro de Abreu. Desse local, na imediata vizinhança do maior teatro da Corte, o São Pedro de Alcântara – onde hoje é o Teatro João Caetano –, Machado de Assis se lançou no caminho sem volta das letras, nos periódicos, nos palcos e, sobretudo, nos livros.
Machado de Assis desperta em um tempo imortal. Sentado à mesa diante de inúmeros livros, no interior do Real Gabinete Português, folheia suas obras e segue regendo o enredo do nosso Carnaval.
3º ATO: O CRONISTA E O LITERATO – “OBRAS MACHADIANAS”
O escritor busca inspiração nas ações rotineiras do homem.
Com gênero híbrido entre o jornalismo e a literatura, a crônica foi utilizada por Machado de Assis, O Bruxo do Cosme Velho, como meio para se comunicar com os seus leitores durante a segunda metade do século XIX. Ao longo de sua trajetória como jornalista, que incluiu a passagem por vários jornais, entre eles, o Correio Mercantil e a Imprensa Oficial, Machado de Assis escreveu sobre sua própria atividade, diagnosticando problemas e sugerindo soluções para uma adequada atuação da imprensa, utilizando-se de histórias cotidianas à época.
A crônica O jornal e o livro, de 10 e 12/1/1859, demarca a noção do jovem Machado em relação ao papel do jornalismo como formador de opinião e promotor da liberdade de expressão do homem comum:
[...] O jornal é a verdadeira forma da república do pensamento. É a locomotiva intelectual, em viagem para mundos desconhecidos, é a literatura comum, universal, altamente democrática, reproduzida todos os dias, levando em si a frescura das idéias e fogo das convicções (MACHADO DE ASSIS, 1997, p. 945, 948).
“O jornal é a liberdade, é o povo, é a consciência, é a esperança, é o trabalho, é a civilização.” Machado de Assis
Machado, atuando como cronista em um período de transição entre a imprensa política e a jornalística, já revelava a importância do sensacionalismo como integrante que fundamenta o produto final da notícia. Nesse sentido, a crítica machadiana é a forma sensacionalista de fazer jornalismo, é a grande locomotiva intelectual praticada até os dias de hoje e que fez de Machado de Assis um mestre que revolucionou a escrita da imprensa brasileira ao longo dos anos.
A cada poema, crônica, frase, um dissabor. Ora extraído da dor, ora preenchido com a docilidade do seu criador. Carlos Drummond de Andrade homenageia este grande escritor, publicando um poema
“A um bruxo, com amor”.
As Obras...
“Machado de Assis não é um capítulo na história literária do Brasil. É um capítulo na história literária do mundo.”
Machado é o homem das letras. E tal era a sua superioridade mental, a sua ilustração, a beleza do seu estilo fulgurante, que não tardou muito a ser considerado mestre no meio literário brasileiro. Polígrafo consumado, foi dos maiores romancistas do país, grande poeta, contista quase insuperável, crítico sagaz, admirável cronista e teatrólogo.
Deste então a obra de Machado de Assis abrange, praticamente, todos os gêneros literários. Na poesia, inicia com o Romantismo de “Crisálidas” (1864) e “Falenas” (1870), passando pelo Indianismo em “Americanas” (1875), e o Parnasianismo em “Ocidentais” (1880-1897). Paralelamente, apareciam as coletâneas de Contos fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1873); os romances Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878), todos considerados representativos de seu período romântico.
A partir daí, Machado de Assis entrou na grande fase das obras-primas, que fogem a qualquer denominação de escola literária e que o tornaram o maior escritor das letras brasileiras e um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa: Memórias póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904).
Toda a maior e mais característica obra machadiana é, portanto, obra da plena maturidade, nascida a partir dos 40 anos, e isso em todos os gêneros, inclusive na poesia. Nesse pouco mais de um quarto de século o mestre do Cosme Velho criou os cinco memoráveis “grandes romances” de sua carreira e diversos contos imortais como A chinela turca, Teoria do medalhão, A igreja do diabo, Cantiga de esponsais, Noite de almirante, Conto de escola, A cartomante, Uns braços, Entre os santos, A desejada das gentes, Um homem célebre, O caso da vara ou a Missa do Galo, entre tantos e tantos outros, além de enriquecer a galeria de personagens da literatura brasileira com tipos inesquecíveis como Brás Cubas, Quincas Borba, Rubião, Bentião e Capitu.
A visão de Nelida Piñon, em “Dom Casmurro”, identifica uma sucessão de narrativas de primeira pessoa, portanto com a responsabilidade tímida e hesitante da primeira pessoa. Segundo ela, a maravilha desse romance é a ambigüidade, afirmando que essa é que é a magia da obra de Machado. “Machado é contemporâneo, porque ele dá margem às dúvidas humanas, às inquietações, às indagações, às perguntas”. Conclui.
Parece mágico, seus livros, contos, romances e até suas crônicas “mudam com a idade”, com o nosso momento de vida. Ler Machado é algo que se pode pensar em fazer até para ver como ele “acompanha” e “evolui” através dos tempos junto conosco. Por fim parece que os textos de Machado não ficam inertes – como os melhores vinhos em garrafas – fechados nos livros. Eles se remexem e se transformam, como se fossem entidades, seres – semelhantes a nós – vivos.
E esse autor, nada recatado, tão ciente de sua intimidade, até teve o descuido de deixar sua obra aberta: seus próprios livros!
Ao se ler Machado, é possível olhar e ver em cada canto da alegoria seus personagens renascerem; então, o Velho Bruxo oficializa: é formalista, mas estende à sua obra mais uma conquista: a de ser jornalista e cronista.
4º ATO: CLUBE LITERÁRIO BEETHOVEN: TEATRO E MÚSICA – “O SARAU”
“Clube Literário Beethoven era uma sociedade restrita, que fazia os seus saraus íntimos em uma casa do Catete. Pouco a pouco, foi se desenvolvendo. Até que um dia, mudou de sede e foi para a Glória. O salão do fundo, tão vasto como o da frente, servia aos concertos e enchia-se de uma porção de homens de várias nações, várias línguas, vários empregos.”
Recorda a tradição. No Clube Literário se reunia a “boêmia intelectual”. Um espaço freqüentado somente por homens cultos: literatos, músicos, teatrólogos, poetas, cronistas, jornalistas, “jogadores” ou simplesmente “boêmios”. Tudo vida, sem engano, entre muitas alegrias, conversas e infinitas trocas de experiências, ouviam longuíssimos concertos, recitavam poesias, cantavam, bebericavam em lembrança de seus eternos casos de amor e jogavam xadrez como símbolo do “saber”.
“Meu bom xadrez, meu querido xadrez. Imagem da anarquia, onde a rainha come o peão, o peão come o bispo, o bispo come o cavalo, o cavalo come a rainha, e todos comem a todos. Graciosa anarquia. Tudo isso sem rodas que andem, urnas que falem.”
Mas é no interior do Clube Beethoven, principal “sociedade musical” da Corte de então, que o autor de Dom Casmurro, freqüentador assíduo, e tantos outros escritores externavam suas paixões pelo teatro e pela música.
Machado de Assis, além de ter sido membro e censor do Conservatório Dramático Brasileiro, como teatrólogo escreveu ao menos quatro peças e traduziu duas outras. Entre elas estão: Hoje avental, amanhã luva, O caminho da porta, Os deuses de casaca e Tu, só tu, puro amor. No que diz respeito à música, dois de seus mais belos contos, Cantiga de esponsais e Um homem célebre, têm a música como argumento central, metonímia de toda a arte, embora o tema primordial que os domine seja o da frustração pelo irrealizado anelo da criação.
Contudo, a fusão das duas artes – teatro e música – embasa o conteúdo de histórias e anedotas dos freqüentadores do “Clube Literário Beethoven”, como esta que expomos a seguir, envolvendo jovens estudantes e literatos.
“O canto lírico, por exemplo, não poderia deixar indiferente Machado de Assis, que foi confessadamente um dos devotos de Augusta Candiani, cantora milanesa que fez furor nos palcos do Rio de Janeiro a partir de 1840. Em certa ocasião, como era de praxe no período dos extravasamentos românticos, os estudantes e outros jovens, após uma récita da diva, desatrelaram os cavalos de sua carruagem e a levaram eles próprios a seu destino. Machado de Assis, que tantos viriam a falsamente considerar como casmurro e misantropo em sua maturidade, foi um dos cavalos da Candiani”.
5º ATO: UMA ESTRELA ADORMECE – NASCE “O ROSA DOS VENTOS”
Adormece uma grande estrela e nasce a mais nova estrela na literatura moderna brasileira.
Daqui a pouco será crepúsculo. O sol, em fins de tarde de outono, estará brilhando morno sobre o Rio de Janeiro. Irá bater com sua luz nas janelas fechadas de um prédio antigo, no Cosme Velho. Ninguém o atenderá, porque o dono da casa, viúvo e solitário, saiu para um último passeio e não vai voltar. A estrela de Machado adormeceu!
Em um rastro de luz Machado de Assis faz a passagem para a imortalidade, como uma estrela que adormece, nos seios de sua eterna e amada Carolina, e que nunca se apagará... Contudo, como em uma explosão cósmica, surge uma nova estrela. Ressalta das páginas da história o nascimento de João Guimarães Rosa – Rosa de todos os ventos, o Rosa de Minas e o Rosa do mundo.
Lisonjeado, Guimarães apresenta os seus Brasis, segue encantado, como um “literato abençoado” que na folia chega pra dar o seu recado.
Nasce João Guimarães Rosa
Em 27 de junho de 1908, filho de Floduardo Pinto Rosa, pequeno comerciante na cidade mineira de Codisburgo (que significa a cidade do coração), e de Francisca Guimarães Rosa, a dona Chiquitinha.
Quando na infância, Joãozinho gostava de estudar sozinho e brincar de geografia... Mas o tempo bom de verdade só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-se em um quarto e trancar a porta. Deitar no chão e imaginar estórias, poemas, romances, botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas (Discutindo Literatura, p. 8).
Conta-se que João lia, quando ainda criança, ritmando a leitura, hábito que conservou por toda a sua vida.
“Sua posição predileta para leitura era sentado no chão, de pernas cruzadas, ao modo de Buda, com o livro aberto sobre as pernas, curvado até bem próximo deste e com dois pauzinhos nas mãos, batendo sobre as páginas, ora um, depois o outro, compassadamente, em ritmo variado, ligeiro ou mais lento, conforme a leitura movesse o pensamento”.
Estudioso e atento às conversas (aos causos) dos sertanejos que passavam pela venda de seu pai... Aprendeu as primeiras letras com mestre Candinho e francês com frei Esteves. O menino foi para Belo Horizonte em 1918, onde se matriculou no famoso colégio Arnaldo.
João, que estudava por sua conta línguas e histórias naturais, tornou-se um poliglota.
“Falo português, alemão, francês, espanhol, italiano, esperanto, russo... Leio sueco, holandês, latim e grego. Entendo alguns dialetos alemães. Estudei a gramática do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês e outras. Estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional.”
(Trecho da entrevista de Guimarães Rosa concedida ao alemão Gunter Lorenz).
Ingressou na Faculdade de Medicina e manteve o interesse pela literatura. Em 1929, venceu, com o conto “O mistério de Heghmore Hall”, um concurso da revista O Cruzeiro e o publicou em julho do mesmo ano. Era a estréia literária do autor.
“Para o poeta Guimarães Rosa tudo começa na palavra. Desde a criação das coisas e dos seres. E nós nos distinguimos pelo uso que dela fazemos. O homem é a sua linguagem. Palavras aproximam ou separam. Por palavras senso e sensibilidade se medem, definem e estimulam.
O próprio pensamento é a palavra escondida.
Está no Gênesis que, por divino comando o primeiro homem dialogava com o Criador e deu o nome às coisas vistas. Depois, “na terra não havia se não uma mesma língua e um mesmo modo de falar”.
Unidos pela força da palavra igual, crescendo em vaidade, espalharam-se os homens pela Terra, quando lhes foi exposta – como castigo – a separação das línguas. Babel. A unidade rompida. A incompreensão.
As palavras reúnem e também separam.”
6º ATO: DO MÉDICO DAS ALMAS AO ESCRITOR: CONTISTA E ROMANCISTA
O médico das almas: o místico
João Guimarães Rosa formou-se em medicina na Faculdade de Minas Gerais, com apenas 16 anos. Segundo colega de turma, Dr. Ismael de Farias, no velório de um estudante vitimado pela febre amarela, em 1926, teria Guimarães Rosa dito a famosa frase “As pessoas não morrem, ficam encantadas”, que seria repetida 41 anos depois por ocasião de sua posse na Academia Brasileira de Letras.
Guimarães vai exercer sua profissão de médico em Itaguara, pequena cidade que pertence ao município de Itaúna, Minas Gerais, onde permaneceu por dois anos. Seu relacionamento com a comunidade, com os “raizeiros” e os “receitadores”, fez ser reconhecida sua importância no atendimento aos pobres e marginalizados, a ponto de se tornar grande amigo de um deles, Monoel Rodrigues de Carvalho, mais conhecido por seu “Nequinha”, que morava no Grotão, enfurnado entre morros, em um lugar conhecido por Sanrandi, onde Guimarães colheu matéria-prima para o seu primeiro livro Sagarana, lançado em 1946.
Os Ciganos
Valendo-se da ajuda de um amigo, que fazia as vezes de intermediário, o jovem médico procurou aproximar-se daquela “gente estranha”; uma vez conseguida a almejada aproximação, passava horas envolvido em conversas com os “calões” na “língua disgramada” que eles falavam. Como diria mais tarde, Manoel Fulô, protagonista do conto Corpo fechado de Sagarana, que resolveu viajar no meio da ciganada por amor de aprender as mamparras de lá deles.
Também em Faraó e na Água do rio, contos do livro Tutaméia, Guimarães Rosa refere-se com especial carinho a essa gente errante, com seu peculiar modus vivendi, seu temperamento artístico, sua magia e sua artimanha.
A superstição e o misticismo
A superstição e o misticismo acompanhariam o escritor por toda a vida. Ele acreditava na força da lua, respeitava curandeiros, feitiços, a umbanda, a quimbanda e o kardecismo. Dizia que pessoas, casas e cidades possuíam fluidos positivos e negativos que influenciavam as emoções, os sentimentos e a saúde de seres humanos e animais.
Em 1934, Guimarães se desiludiu com a profissão: “Não nasci para isso”, escreveu para um amigo, enviando-lhe uma carta. Na ocasião, João Guimarães Rosa prestou concurso para o Itamaraty e iniciou a carreira diplomática. Posteriormente, foi designado para o posto de cônsul adjunto do Brasil em Hamburgo. Em maio de 1938, o jovem diplomata toma o navio para a Alemanha. Na gênesis da Segunda Guerra Mundial, uma convergência de tempo e espaço o colocaram no olho do furacão do maior acontecimento do século XX. A atividade de Guimarães Rosa no Consulado Geral em Hamburgo em favor dos judeus perseguidos seria um exemplo não de ação política, pois a ação política era o nazismo, mais sim de ação diplomática. Aqui encontramos a concepção platônica da justiça - a harmonia dos elementos naturais de um todo, sem excesso de nenhum sobre o outro.
É a esse totalitarismo que ele se refere quando Lorenz lhe perguntou sobre sua atividade em Hamburgo em favor dos judeus perseguidos pelo nazismo. “Eu, homem do sertão, não posso presenciar injustiças”.
O Reconhecimento
Em reconhecimento a essa atitude, o diplomata e sua mulher foram homenageados em Israel, em abril de 1985, com a mais alta distinção que os judeus prestam aos estrangeiros: o nome do casal foi dado às encostas que dão acesso a Jerusalém.
O escritor: contista e romancista
“A língua e Eu somos um casal de amantes que procriam apaixonadamente.” João Guimarães Rosa
Dedicou-se à diplomacia e, fundamentalmente, as suas crenças descritas em sua obra literária. Fenômeno da literatura brasileira, Rosa começou a escrever aos 38 anos. O autor, com seus experimentos lingüísticos, sua técnica e seu mundo ficcional renovou o romance brasileiro, concedendo-lhe caminho até então inéditos. Sua obra se impôs não apenas no Brasil, mas alcançou o mundo, tornando-o uma grande estrela literária.
João: um escritor cuja formação foi profundamente marcada pela experiência de mediação entre dois mundos, ou entre dois modos de vida, um rural e tradicional e outro urbano e moderno. A mistura programática destes saberes faz da obra de Rosa um espaço permanente de negociação entre a modernidade urbana e a cultura tradicional – oral das comunidades rurais, ou de articulação do espírito de vanguarda e o interesse no regional, o que, superando o dualismo resulta em uma mescla de formas cultas e populares: arcaísmos, neologismos, regionalismos e estrangeirismos. Foi também sofisticado leitor de uma gama extensa de assuntos: zoologia, religião, literatura, filosofia e pintura.
Principais Obras
Sagarana (1946), uma inédita força lírica, um sopro épico inigualável, traz o “sertão mineiro”, civilização do couro do nosso interior, para o primeiro plano da ficção nacional, tema literário que aparentemente se esgotara nas mãos de Afonso Arinos ou de Hugo de Carvalho Ramos.
Corpo de baile (1956) reúne um extenso conjunto de novelas que, atualmente são publicadas em três partes: Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém; e Noite do sertão.
Grande sertão: veredas (1956), seu primeiro e único romance de ressonâncias épicas que alçará o sertão brasileiro ao mais alto plano da expressão universal.
A força sem paralelos dessas obras, a sua visceral e inesperada inventividade lingüística, mobilizaram todos os recursos possíveis da língua portuguesa.
7º ATO: O VAQUEIRO JOÃO NAS TRILHAS DO GRANDE SERTÃO
A linguagem Rosiana consegue ser, a um só tempo, regional e universal, presente e atemporal, popular e erudita, mesclando, no papel, a genialidade do diplomata poliglota e do indivíduo que andava pelos grotões do sertão munido de seu caderninho, anotando os “causos” que posteriormente poderiam vir a compor sua obra. O sertão explorado por Rosa não é o sertão nordestino retratado nos romances regionalistas. Trata-se do sertão mineiro, familiar ao escritor, marcado não pela aridez, mas pela abundância.
Em Grande sertão: veredas, um dos romances mais ricos e complexos da literatura universal, assistimos à narração de Riobaldo que, anos depois, conta a um interlocutor as suas aventuras do tempo de jagunço. Em um texto que trabalha simultaneamente com experiência e com memória, assistimos a uma reelaboração, realizada pelo protagonista-narrador, das dúvidas e angústias que lhe assolam a existência. Trata-se de um texto universal, na medida em que as questões levantadas são as mesmas com as quais o homem se defronta desde o início dos tempos.
“Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente – depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucaia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde um criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniões... O sertão está em toda parte”
João Guimarães Rosa.
Liberdade à bondade de Deus. Há sobreposição das várias lutas: a luta pela sobrevivência; a luta pela sua própria emancipação; a luta contra o mistério do mal; e pelo sentido da vida. O sertão Rosiano tem sincretismo religioso. Tem caboclo, tem romaria sertaneja. Tem um povo que tem fé. Que crê em Nossa Senhora como forma de união e clama por sua benção para fazer chover no nosso sertão.
O sertão aceita todos os nomes: aqui é os Gerais, lá é o Chapadão, lá acolá é a Caatinga. As Veredas do Sertão é o cenário onde se dá a travessia, onde o homem conquista sua maioridade, onde se decide sobre o bem e o mal. Como a travessia do vaqueiro João Guimarães Rosa, pelo sertão, montado na “mula balalaika”, intitulando-se vaqueiro-amador.
Rosa acompanha, em 1952, a travessia da boiada da Sirga até a fazenda São Francisco – uma trajetória de dez dias em um percurso de 40 léguas. Preocupado em registrar suas descobertas, revela, no seu encontro, a sua face de etnógrafo, interessado não apenas na cartografia da região, mas, sobretudo, na cultura dos boiadeiros e sertanejos que viriam povoar sua obra.
“Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser crocodilo vivendo no Rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens.” - João Guimarães Rosa
8º ATO: ESTRELAS EM POESIA...
Rio de Janeiro é a cidade do samba, é o celeiro de bambas... A celebração irradia quando a estrela de luz que nos guia ilumina a nossa Velha-Guarda, que traz os “academicistas do samba” e a Avenida contagia.
O brilho das estrelas em poesia é acreditar na força que elas têm, desvendando seus mistérios, e aí então deixar que suas luzes entrem alma adentro. Carregar as estrelas seja como conduzir um candeeiro, para que, onde quer que se vá, longe, alto, possam os outros perceber a claridade.
Celebramos “à volta” dos corpos iluminados ao universo cósmico. Machado de Assis e Guimarães Rosa deixam-nos um grande legado: suas obras literárias, poesias, contos e fantasias... Os academicistas do samba: a nossa Velha-Guarda, sob o manto verde e branco despede-se desses grandes mestres da literatura nacional, que para sempre brilharão em nossas vidas.
A Estrela de Machado Vive;
A Estrela de Guimarães brilha;
A Estrela da Mocidade nos conduz...
E apresenta: Clube Literário Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrelas em poesia!
Fecham as cortinas!
Aplausos!
Carnavalesco e desenvolvimento do enredo: Cláudio Cavalcante
Autores: Cláudio Cavalcante e Armênio T. Graça
Pesquisa e texto: Marcos Roza
Agradecimentos especiais: Cícero Sandroni (presidente da Academia Brasileira de Letras); Alexei Bueno (curador da exposição “Machado Vive” ? ABL); Anselmo Maciel (projeto e execução da exposição “Machado Vive” – ABL) e todos os acadêmicos da ABL que contribuíram com textos e depoimentos para a composição deste enredo.
Colaboradores: Wilker J. Leite Filho (diretor artístico – Mocidade); José Luiz Azevedo (diretor técnico de Carnaval – Mocidade).
Presidente Paulo Vianna
Quadra Rua Coronel Tamarindo, 38 - Padre Miguel - Rio de Janeiro - RJ - CEP 21870-000
Telefone Quadra (21) 3332-5823
Barracão Cidade do Samba (Barracão nº 10) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290
Telefone Barracão (21) 2516-3215
Carnavalesco Cláudio Cavalcanti
Enredo A Mocidade apresenta: Clube Literário - Machado de Assis e Guimarães Rosa... Estrelas em Poesia!
Cores Verde e branca
Internet www.mocidadeindependente.com.br
Imprensa Enildo do Rosário (Viola); Tels.:: (21) 7842-7972 / 9924-3599
Portela
"E por falar em Amor...
Onde anda você?"
O amor é a linguagem universal. Nasceu junto com o homem e ainda se multiplica em sementes, resistindo bravamente às investidas do mal.
Assim como o ar, o amor deveria estar presente em todos os lugares. Sem ele, ninguém consegue respirar. Muito menos, suspirar.
Caligrafia divina, o amor tem escrita fina, escrevendo certo por linhas tortas. Está nas Sagradas Escrituras e nas línguas mortas. Enfrenta os maiores desafios para vencer os obstáculos que o separam da felicidade. O amor é início, meio e fim - mas não tem idade.
Ah, o amor!...
Dizem que na Idade das Trevas, quando o homem ainda vivia na obscuridade, entre as mazelas da guerra e epidemias que varriam o solo europeu, um rei deu tudo de seu. Demonstrou que o amor a seu país e à sua gente era mais importante que a própria vida. Ensinou que o homem depende da honra para atingir seus ideais e foi glorificado pelos poderes de uma espada, no silêncio dos séculos adormecida.
Diante de Sua Majestade curvaram-se doze cavaleiros que juraram eterna lealdade, defendendo o Rei e o Estado. Lendas de aventuras e heroísmo circulavam por todos os povoados, perpetuando a coragem e o estoicismo através de gerações medievais. Feitos de bravura e resignação tornaram-se uma tradição, sinônimos de verdadeiras provas de amor.
Era assim que a vida se construía. Cada degrau da escadaria guardava uma página de magia e um “quê” de bruxaria. E um feitiço impediria que a noite se encontrasse com o dia...
A distância deixada quando o amor se vai, brota uma lágrima no rosto da saudade. Na Índia, a lenda tornou-se realidade. O imperador jamais conseguiu mensurar a intensidade da dor desde o momento em que perdeu a sua amada.
Mandou construir um palácio para traduzir o que sentia: durante vinte anos, noite e dia, vinte mil homens puseram pedra sobre pedra para erguer a morada de quem já não existia.
Hoje, quando o sol se põe, o mármore do palácio ainda muda de cor, escrevendo sobre a terra o que restou de uma fascinante história de amor.
Ah... as histórias de amor! Elas atravessaram os mares e foram escritas em areias de praias brasileiras. Eram histórias-metade, histórias inteiras, que ensinavam o amor à nossa terra, à nossa gente e a todo esse continente chamado Brasil.
Histórias que contavam a mistura de raças e pensamentos, insurreições e movimentos pelo amor à liberdade. Histórias que custaram a vida, engrandeceram a morte, e com muito amor consolidaram a História dessa pátria tão querida.
Ah, meu Brasil! Que bom seria se todos te amassem... te respeitassem e zelassem pelo que é teu!
Que bom seria se cuidássemos da Natureza com mais amor!
Com toda a certeza, é a maior de nossas riquezas e a esperança para o planeta não sufocar com o calor. Devemos lutar pela sua integridade e pelo ar que respiramos.
Em nome do Pai, das Espécies e de todos os Seres Humanos.
Ah, meu Brasil, de sonhos possíveis, de tantos feitos incríveis!
Meu Brasil de ouro, de prata e de bronze; meu Brasil, que é craque nas onze!
Minha província mineral, tão rica no solo quanto em pérolas desse tesouro cultural.
Amor sugere emoção e é capaz de derreter o mais forte dos bravos. Basta tocar o coração. Foi assim que o vento levou... e nos arrebatou com um beijo à meia-luz, num cabaré em Casablanca. É assim que o amor nos conduz, meio Ghost, do outro lado da vida. Amores sem medida nos olhos do ator, refletido nos lábios da atriz – no escurinho do cinema, chupando drops de anis. Este é o amor com suas emboscadas, arrastando-nos para as ciladas da vida, transformando a platéia apaixonada em manteiga derretida.
Amor é energia. É a força que nos move para encontrar as soluções do dia-a-dia. É fonte de inspiração e plataforma de criação para uma vida mais sadia.
Amor é Física, é Química, é o fenômeno da aproximação: é o mistério que materializa a teoria da imaginação!
Amor envolve com sutileza: nos conselhos da mãe, nas palavras da professora, nos ensinamentos da fé, nas manifestações da Natureza.
O amor não é um privilégio do homem e também desperta “frisson” entre os animais. Nesse festival de paixão, quem ousa mais?
Os relógios anunciam que o tempo não pára e é hora de deixar o amor de lado para produzir. E tome tecnologia! Toda hora, todo dia. Escravo dos ponteiros, o homem vive pendurado nos fones do Ipod. Debruçado no laptop. Enfiado no PC... Será que ninguém mais se curte? Não, agora muitos namoram em salas virtuais e na interface do orkut.
A família já não se conhece, ninguém mais se fala – nem se abala. Na sala de jantar do nosso enredo, a TV de plasma é quem põe à mesa. E quando a gente descobre, o medo e a violência estão no cardápio do horário nobre.
Precisamos evoluir sem perder a essência: o sentimento é soberano. Eis a Ciência que dá sentido à vida do ser humano.
O amor traz saudade e nos acalanta no balanço do bonde que arrastava foliões para o Centro da Cidade. O bonde dos cordões, salão itinerante de um tempo sem maldade.
Lá se vão confetes e serpentinas, o bloco da esquina, o Bafo e o Cacique sacudindo a Avenida. Brincar, cantar, pular não era apenas fantasia. A gente era feliz e não sabia.
Amar também é viver de nostalgia e flutuar na magia de amores efêmeros, como num baile de carnaval. Amores anônimos, mascarados, dissimulados, atrevidos, insuflados por cupidos fantasiados, enternecidos por anjos endiabrados.
“Quanto riso!
Oh, quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão
O Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão...”
É chegado o momento de fazer uma reflexão para responder à pergunta que vem lá do coração:
- E por falar em Amor, onde anda você?
Tomara que nosso reencontro se dê nesta noite gloriosa, antes que a orquestra encerre o baile com a “Cidade Maravilhosa”.
É hora de ir embora, preciso cuidar da vida. Falei tanto de amor, que bateu a maior saudade da minha Portela querida.
Presidente Nilo Mendes Figueiredo
Quadra Rua Clara Nunes, 81 - Madureira - Rio de Janeiro - RJ CEP 21351-110
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Barracão Cidade do Samba (Barracão nº 03) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290
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Carnavalescos Lane Santana e Jorge Caribé
Enredo E por falar em Amor... Onde anda você?
Autores do Enredo: Marta Queiroz e Cláudio Vieira
Cores Azul e branca
Internet www.gresportela.com.br
Imprensa Karla Sampaio – (21) 7816-1210 / 2233-4812 / 2233-1375 karsamp@yahoo.com.br
Beija-Flor
"No chuveiro da alegria, quem banha o corpo lava a alma na folia"
Introdução
Nossa relação com a água remete a nossa própria existência, partindo do princípio que nos desenvolvemos em uma bolsa de água durante nove meses e a partir daí esta relação coexiste em nossas vidas: água para beber, para lavar, curar e purificar.
A cada época e lugar sentimos essa incontrolável necessidade de se relacionar com esse elemento da natureza. Nosso enredo é uma viagem pela relação entre a humanidade e a água. Mais do que um hábito de higiene, o banho reflete a história e o desenvolvimento cultural de um povo e suas crenças; a história do banho traça a trajetória da civilização.
Partimos de 3 mil anos atrás até a atualidade. Trazemos à tona esse longo banho, misturando as suas gotas, significados, símbolos e desejos, personagens anônimos e lendários que, através dos tempos, testemunharam as transformações ocorridas com esta prática e os rituais relativos à ela, bem como alguns aspectos imutáveis ao longo do tempo, que fazem do banho uma necessidade inquestionável e eterna.
É com a limpidez de espírito e com orgulho que a Beija-Flor de Nilópolis conta este enredo, lavada e perfumada, em seu momento de estrela, e vem banhar-se de alegria e beleza, agitando as águas da história e envolvendo a todos com uma suave espuma de prazer e felicidade.
Sinopse
Hoje o samba vem mergulhar de corpo e alma no azul cristalino das águas do tempo, abrindo as comportas da história, num rio mágico de fantasia que jorra em cores nesta folia, lavando as manchas do passado, passando a limpo a humanidade, dando um banho de alegria nesta maravilhosa cidade.
É o Beija-Flor que navega nas espumas flutuantes, atravessando eras, remando em asas, nas águas claras e fascinantes, da sua fértil imaginação. E inventa assim um céu para seu vôo encantado, no espelho mágico que reflete líquido, o néctar doce e puro de sua fonte de inspiração.
No borbulhar da história, faz emergir o limiar de um hábito, um milenar costume que o Egito nos ensinou, um misto de mito, rito e de prazer. Uma dádiva do Nilo, que ao banhar esse povo moreno, nos legou esse saber.
Saber quão salutar é esta prática, uma receita de bem viver, um instrumento de beleza. Segredo de uma mulher que se fez símbolo maior de realeza, a rainha do deserto, deusa a se banhar de leite e perfume de flor, com tempero de sedução, que balançou impérios e conquistou corações.
Vai atravessando a cortina de fumaça que transpõe o tempo e chega ao Oriente, de onde exala o aroma das ervas que inebria a alma de água e calor, desvenda essa nuvem que limpa o corpo e a mente, que transpira os males, que renova o vigor. Bruma de saúde a se espalhar em vapor, como sopro divino, vindo do Olímpio de Zeus, como presente de grego que o Império Romano recebeu e que a ele deu ares de festa, erguendo palácios de luxúria e lazer.
Vai viajar no espaço dos séculos, de um povo a desfrutar desta alegria limpa e líquida, descobrindo as delícias da água e do prazer de ser banhar. Segue a vastidão de um Império, se expandindo e fluindo até chegar o momento do ocaso desse reinado, como um rio que seca, o fim de um sonho dourado de ter o mundo conquistado.
Por ordem da cruz, em nome de Deus, o hábito é condenado. E o que outrora dava prazer, ora se torna pecado, e o suor é o que lava o “corpo fechado” da humanidade, que adentra na imunda “idade das trevas”, onde o banho é excomungado.
Na escuridão da noite eterna, vai enxugando a intolerância de um tempo que cobriu a sujeira em vestes brancas, na busca de um corpo puro, casto e imune, e vai testemunhar que da mesma cruz e espada que reprime, se acende o lume de uma nova era a se despertar. É o tempo de se lançar às águas em grandes aventuras, rumo ao descobrimento, tempo de lavar a mente e iluminar a razão, de procurar um novo mundo e nele encontrar a pureza. E nos corpos nus, reaprender a lição; se despir dos valores e mergulhar sem medo no lago natural do conhecimento, num banho de civilização.
Faz transpirar no velho mundo, esta limpa liberdade nativa, como a força e a luz do Renascimento, já que a suja Europa busca na ciência a alternativa misturando óleos e essências, lançando perfume no ar, num banho de cheiro a disfarçar o asseio de uma imunda nobreza que, de cara branca, perucas, jóias e rendas, veste a hipocrisia em fantasia de limpeza.
Vem mostrar ao povo mal acostumado que os “humores do corpo” decorrem do hábito abandonado, que assim disse um cientista que o micróbio mora ao lado daquilo que não é lavado, pois o que os olhos não enxergam, um bom banho tira o “mau olhado”.
Traz à tona um novo tempo, tempos modernos de saúde e bem viver, onde o banho vira moda e a humanidade assim limpa e prosa, reinventa esse prazer. Quando o sabão se torna sabonete, perfume a alcance do povo, este povo que ao tempo que passa inventa mais um banho novo e segue cantando no chuveiro, dançando na chuva, dourando ao sol ou na fria luz da lua, de luxo sob as espumas, de lama e de loja, pura beleza, se amando de fato num banho de gato na mais louca safadeza.
E assim, entre pingos e gotas, jorros e ondas, seguimos na correnteza deste banho de alegria, que nos traz a certeza de quem banha o corpo, hoje também lava a alma nesta folia. O samba, que traz no seu batuque a africana magia, depois de dar um banho de história e cultura, vem se banhar em sua fé, e a Beija-Flor vem lavar a passarela nas cores de uma aquarela, saudando seus orixás e purificando toda cidade ao se banhar de axé.
Segmentação do Enredo
Egito – Origem do Banho
Os primeiros registros do ato de se banhar individualmente ocorreram por volta de 3.000 a.C., e pertencem ao antigo Egito. Os egípcios realizavam rituais sagrados na água e banhavam-se diariamente, dedicando os banhos a divindades como Thot e Bes.
Thot era o Deus do conhecimento, da sabedoria, da escrita e da medicina, considerado a melhor divindade para cuidar das pessoas que se banhavam. Depois dele, vinha Bes, o Deus da fertilidade e do casamento, que cuidava do parto e do banho das crianças e mulheres.
Mais do que limpar o corpo, os egípcios presumiam que a água purificava a alma, e esta crença era válida tanto para a realeza - cortejada com óleos aromáticos e massagens aplicadas pelos escravos, quanto para as populações mais pobres, que recorriam inclusive a profissionais de rua quando não conseguiam tratar da própria beleza. Os egípcios foram os inventores dos primeiros cosméticos.
2- Termas – Luxúria Líquida
Babilônia, Turcos, Gregos, Romanos
A Grécia foi um dos locais em que o banho prosperou, sendo possível encontrar bem preservados palácios de 1700 a.C. a 1200 a.C. que, mesmo nos dias atuais, surpreendem devido a avançadas técnicas de distribuição da água. Afirma-se que naquela época, os banquetes precisavam ser luxuosos e incluíam uma sessão de banho para os convidados.
Na Grécia, o banho também era uma extensão necessária da prática de ginástica, e comumente os gregos antigos invocavam a proteção de Hera, a mulher de Zeus (também conhecida como Deusa Juno), durante o banho.
Os gregos tomavam banhos por prazer e para ter uma vida saudável, motivados pela higiene, espiritualidade e práticas desportivas, sendo que os médicos louvavam as virtudes ocasionadas em função dos diferentes tipos de banho, aconselhando o uso de óleos na água para untar o corpo antes de as pessoas se secarem.
Embora os gregos tenham iniciado a prática dos banhos públicos no Ocidente, os pioneiros nos balneários coletivos foram os babilônios.
Materiais saponificantes anteriores a 2.800 a.C. foram encontrados em cilindros escavados nas ruínas da antiga Babilônia. As inscrições indicam que aquele material era utilizado para a limpeza dos cabelos e para auxiliar na confecção de penteados.
Por volta de 650 a.C a cidade da Babilônia, na Mesopotâmia, tornou-se o centro comercial de especiarias e perfumes da época.
Já no século II a.C., os romanos construíram enormes complexos de banho para homens, sendo que os romanos foram o povo da Antiguidade que mais se importaram em transformar o banho num evento, construindo suntuosas termas públicas onde qualquer cidadão pudesse desfrutar dos prazeres proporcionados pelo banho. O banho referia-se à idéia de repouso e de convívio, pois era uma prática social e um ritual simbólico.
Os romanos herdaram muito da cultura grega, incluindo a adoração pelo banho. Porém, entre eles, esse hábito adquiriu proporções inéditas. As visitas diárias às termas tinham fundo religioso, visto que o banho público era um ato de adoração à deusa Minerva.
Os romanos consideravam Minerva, a deusa do comércio, da educação e do vigor, especialmente bem dotada para cuidar do banho. Fortuna, a deusa do destino, também era representada nas casas de banho, para proteger as pessoas quando estavam mais vulneráveis. Além disso, havia incontáveis ninfas e espíritos associados a fontes e poços locais, venerados como guardiões do banho.
E o costume não era restrito somente às classes mais abastadas: boêmios, prostitutas, imperadores, filósofos, políticos, velhos e crianças, todos se banhavam no mesmo espaço, sem constrangimento.
Os gregos e os romanos mantiveram o hábito de reunir-se em "banhos públicos", que se tornaram em verdadeiros locais de discussões e decisões políticas e sociais. As termas eram um ponto de encontro e de troca de informações, que se tornaram símbolos de luxo e, muitas vezes, das decadências dos costumes.
Os romanos e os gregos - precursores de sistemas hidráulicos que canalizavam águas pluviais e fluviais, conduzindo-as para as residências e termas - fizeram do banho um ritual de luxo e influenciaram o mundo com suas criações de óleos, ungüentos e maneiras prazerosas de banhar-se.
Os árabes não só compreendiam e apreciavam os prazeres dos perfumes, mas também possuíam conhecimentos avançados de higiene e medicina. Muito celebrados por suas maravilhosas descobertas, eles ofereceram à humanidade o primeiro alambique, e a partir desta invenção foi possível destilar as matérias-primas e preparar a primeira água de rosas do mundo, isolando o perfume de pétalas em forma de óleo.
Associar os famosos banhos turcos a rituais amorosos é uma das primeiras reações dos ocidentais ao imaginar as sofisticadas casas dos muçulmanos. O hamman, a cerimônia islâmica do banho, estimulava a imaginação dos europeus, ao descrever dezenas de belas mulheres se banhando e se embelezando em um ambiente ricamente ornamentado.
Mas o hamman supera essa carga erótica. É um preceito da fé islâmica lavar e perfumar o corpo para a oração. E os banhos em conjunto, demorados, são a melhor maneira de se purificar para a prece. O hamman serve, então, como meditação entre os pecados do corpo e a limpeza do espírito.
Na Europa, somente no século XVII houve a introdução das casas de saunas e banhos turcos.
Idade Média – Proibição do Banho
Durante a Idade Média, os ocidentais abandonaram os sofisticados rituais de limpeza da Antiguidade e mergulharam numa profunda sujeira. A maneira de ver o banho mudou. As idéias religiosas foram levadas ao exagero e as saunas passaram a ser consideradas locais de pecado, porque as pessoas se viam nuas umas às outras.
Não é exagero afirmar que a Idade Média foi o período em que a cristandade varreu da Europa as termas e demais atividades em que as pessoas se expusessem demais. Com tantos pudores, o prazer de tomar banho de corpo inteiro passou a ser visto como um ato de luxúria. Lavar as mãos e o rosto bastava, às vezes nem isso. Quando muito, era aceitável tomar um só banho por ano.
Os banhos foram totalmente proibidos, aumentando as doenças, em especial a peste. Dizia-se que a água "amolecia" a alma. Dizia-se ainda, que o fato de a água quente dilatar os poros da pele facilitava a entrada de doenças no corpo. Desta forma, nesta época, a higiene basicamente resumia-se em vestir uma roupa limpa e usá-la até ficar suja, pois acreditava-se que a roupa funcionava como uma espécie de “esponja”, absorvendo a sujeira. Sendo que muitas vezes a roupa sequer era lavada, apenas sacudida e carregada de perfume.
Os banhos eram escassos, quase inexistentes. Em famílias pobres, quando eles aconteciam, a água servia para banhar a família inteira em uma tina. Primeiro os homens, depois os filhos e por último as mulheres.
A Idade Média foi muito apropriadamente chamada de Idade das Trevas, protagonizando o total sepultamento dos hábitos de higiene. A Igreja, poder político e cultural absoluto, abominava os banhos, tratando-os como “Orgias Pecaminosas”.
Iniciou-se um período de imundície com conseqüências desastrosas para a Europa. Segundo os sanitaristas, as constantes epidemias que assolaram o Velho Mundo durante a Idade Média foram provenientes da total ausência de higiene por parte da população. As necessidades fisiológicas eram “despejadas” pelas janelas!
Esta falta de asseio pessoal, aliada às condições de vida insalubres, contribuíram sobremaneira para as grandes epidemias da Idade Média e, em especial, para a Peste Negra do século XIV.
Com os grandes surtos epidêmicos instala-se a convicção de que a água, por efeito da pressão e sobretudo do calor, abria os poros e tornava o corpo receptivo à entrada de todos os males.
Desde o século XV, os médicos condenavam a utilização dos balneários públicos e das estufas. Defendiam a teoria que, “depois do banho, a carne e o hábito do corpo amolecem e os poros abrem-se, e assim, o vapor empestado pode entrar prontamente no corpo e provocar a morte súbita”.
A ideologia cristã instaurou preconceitos e impôs uma nova moral e conseqüentes novos costumes. A Igreja temia pela sujidade das almas, pois os hábitos promíscuos eram uma porta aberta para o pecado. Havia assim, que se evitar os banhos públicos, locais “propícios à devassidão e ao amolecimento dos costumes”.
4- Renascimento – Dos Maus Odores ao Banho de Civilização
No século XIII, frades dominicanos iniciaram as atividades farmacêuticas relativas à produção de essências, pomadas, bálsamos e outras preparações medicinais. Muitas dessas fórmulas, produzidas até os dias de hoje, foram estudadas durante a corte de Catarina de Médici, nobre florentina que se mudou para a França em 1533, para se casar com o Rei Henrique II.
Os perfumes de Catarina de Médici eram feitos em Grasse, uma pequena cidade ao sul da França, localizada aos pés dos Alpes mediterrâneos. Grasse era então um centro da indústria de couro e, até aquele momento, não existia nenhum produto para limpar e perfumar o couro, especialmente o das delicadas luvas das senhoras. Desenvolveu-se, então, uma arte refinada, tarefa dos ‘maîtres gantier parfumeurs’- mestres perfumistas de luvas, que prosperaram em torno de Grasse.
Aos poucos, a era das águas perfumadas com flores foi cedendo espaço a composições à base de almíscar. A preocupação com a higiene e os cuidados com o corpo permanecia. Também se considerava importante o cultivo de jardins, capazes de repelir os odores pestilentos comuns na época.
Diz-se que Luis XIV, o “Rei Sol”, era muito sensível a odores, e tinha um perfume para cada dia da semana. Em sua corte, rosas e flores de laranjeira eram usadas para perfumar luvas, e os sabonetes de óleo de oliva faziam parte da higiene diária. As fragrâncias apreciadas por Luís XIV eram produzidas no sul da França.
No Renascimento, a idéia de manter o corpo limpo foi abandonada e os “banhos de água” foram substituídos por “banhos com fortes perfumes e essências”, sendo Catarina de Médici a grande responsável pela difusão do perfume na França.
A fomentação da expansão marítima conduz os europeus ao descobrimento de novas terras, denominadas de ‘Novo Mundo’; e a realidade da Europa (o ‘Velho Mundo’) mostrava-se paradoxal aos costumes demonstrados pelos habitantes dos territórios localizados na atual América do Sul.
A chegada dos brancos impressionou aos índios, devido à aparência suja e grotesca dos europeus, chamados de “mal cheirosos e porcos”.
Observando os hábitos dos indígenas, nativos das terras recém-descobertas, os europeus aprenderam diversos conhecimentos sobre limpeza e higiene, pois era comum e freqüentemente os naturais banharem-se em rios, lagos, lagoas e cachoeiras. De modo que os indígenas em muito contribuíram para o progresso nos costumes dos europeus, promovendo um verdadeiro banho de civilização.
5- Corte de França – Banho de Cheiro Disfarçando a Sujeira
A fundação da primeira boutique de perfumes em Paris impulsionou a produção e a comercialização de produtos aromáticos. A opulência, o esplendor, a extravagância e o refinamento surgiam nas famílias aristocratas e dominavam a corte européia.
A moda dos banhos estimulou a difusão dos perfumes por toda a Europa. A “Corte perfumada”, fiel ao estilo Rococó, bem como toda a nobreza francesa, habitualmente se utilizavam de bálsamos e perfumes - nas roupas, nos corpos e nos cabelos - para disfarçar a sujeira e amenizar o mau cheiro.
6- Pasteur – Corpo Limpo, Corpo São
Louis Pasteur (1822-1895) foi um cientista francês que fez descobertas que tiveram grande importância tanto na área química como na medicina.
O conceito de higiene surge apenas no século XIX, depois das descobertas de Pasteur e dos seus trabalhos sobre a importância da higiene na saúde. Assim, os hospitais e outros locais de contato com doenças passaram a ser limpos regularmente. Cabe frisar que as noções de assepsia por ele implantadas no âmbito da medicina foram fundamentais para que muitas vidas se salvassem.
Constante defensor da adoção de medidas profiláticas para evitar doenças contagiosas causadas por agentes externos, realizou uma obra científica notável, que não só abriu caminhos aos estudos sobre a origem da vida, como contribuiu de forma decisiva para a evolução da indústria. Sua contribuição foi essencial ainda na evolução da medicina preventiva, dos métodos cirúrgicos (com a prevenção das infecções), das técnicas de obstetrícia e dos hábitos de higiene.
Em Paris, criou o primeiro Instituto Pasteur (1888), que se tornou um dos mais importantes centros mundiais de pesquisa científica, com filiais em vários países, inclusive no Brasil (Rio de Janeiro).
7- O Banho Vira Moda: de Sol, de Lua, de Gato, de Loja e de Cheiro. Dançando na Chuva e Cantando no Chuveiro
Ao longo da História, o banho já foi considerado sagrado e profano, artigo de luxo e diversão das massas, receita de saúde e até causador de doenças e mortes. Este ritual, tal como o conhecemos hoje, é resultado de uma mescla dos costumes de diferentes povos ao longo dos tempos.
Atualmente, o banho é associado ao cuidado com a pele e ao bem-estar em todo o mundo. Além de deixar o corpo limpo e cheiroso, as composições dos sabonetes, sais e óleos são enriquecidos com essências que podem transmitir sensações diferentes como relaxamento ou vigor que, associados às diferentes temperaturas da água, têm seu efeito potencializado.
Ou seja: refrescar, seduzir, relaxar e estimular são apenas algumas das variadas finalidades dos mais diferentes tipos de banho, que propiciam vastos benefícios para o corpo e para a mente das pessoas.
Muitas são as delícias que esta experiência é capaz de proporcionar; são efeitos estimulantes, afrodisíacos e relaxantes, dentre outros. Com isso, o banho terminantemente virou moda: no chuveiro, em banheiras, e ofurôs. Banho de cheiro, de sol e de sais, de mar e de piscina; banho de cachoeira e banho de lua, banho de loja e banho de gato; dançando na chuva, cantando no chuveiro!
8- Quem Banha o Corpo, Lava a Alma – Banho dos Orixás
Os rituais de diferentes tipos de banho também são práticas religiosas, uma vez que o ato de banhar-se foi e ainda é visto em muitas religiões como um rito de purificação do corpo e da alma. Tal fato é observável no espiritismo, por exemplo, pois acredita-se que quem banha o corpo, lava a alma, afastando as energias negativas e atraindo a positividade.
Os banhos de cunho litúrgico podem ter finalidades diversas: defesa, sacudimento, defumação, cura, regeneração, elevação espiritual, auxílio no desenvolvimento de novos médiuns.
A benção e a proteção dos orixás abrem os caminhos através de sessões de descarrego, limpeza da aura, energização e purificação; com a utilização, inclusive, de ingredientes tais como a pipoca, ervas e sal grosso, dentre outros.
No Brasil, país onde grande parte da população é praticante do sincretismo religioso, tais práticas afro-descendentes são bastante usuais.
(Texto divulgado à Imprensa)
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Mangueira
"A Mangueira traz os Brasis do Brasil, mostrando a formação do povo brasileiro"
INTENÇÃO DO ENREDO
A ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA no Carnaval de 2009 pretende resgatar através da visão de Darcy Ribeiro a formação do povo brasileiro comparando-o com Roma por sua presença latina no nosso país continente.
Esta Nova Roma justifica-se porque é mestiça sem perder a sua latinidade, mas recebendo influências indígena e negra, formam uma sólida e mutante identidade étnica. È um Brasil cujo povo é alegre e orgulhoso de sua mestiçagem e, veremos através de nosso enredo como isto se deu neste ambiente tropical onde, o clima e o verde abraçam a todos.
Começamos pelos índios que, ao longo de 10 mil anos aprenderam a lidar com o ambiente das florestas e consegue tirar o melhor dela para a sua sobrevivência. Seus núcleos sociais obedecem a uma hierarquia própria e direcionada para o bem comum.
Com a chegada dos europeus, os opostos se confrontam; selvageria e civilização em um primeiro momento não irão se misturar. Entretanto com os interesses de ambos os lados, os índios cobiçando ferramentas e europeus com olho no pau-brasil, a aproximação torna-se inevitável. O indígena não se deixa escravizar facilmente, não é subserviente, é contra o seu espírito livre, daí, surgindo grandes dificuldades no processo extrator da nobre madeira.
As circunstâncias sinalizam caminhos outrora pouco ortodoxos para a solução do problema.
Das milhares de aldeias por toda a costa se torna comum o “casamento” de índias com europeus. Agora parentes, surge a tal mão-de-obra para derrubar o pau-brasil; è o “Cunhadismo”. O início da mestiçagem também é o início da formação do povo brasileiro.
O denominado mameluco aprende sobre a milenar cultura indígena que se soma aos conhecimentos europeus. Quem são eles? Nem um, nem outro, são a base transformadora de uma nova etnia nacional.
O contato com o europeu também foi danoso para o índio. Moléstias vindas do outro lado do mar dizimam os que aqui habitavam aos milhares, entretanto, a junção de conhecimentos foi primordial para a subsistência de todos nestas terras.
Gado, cana, ouro e plantios em geral necessitaram de mão de obra, a demanda era muito maior que as “gentes” para a labuta.
Agora o interior também se desenvolvia no processo extrativista e de assentamento. O negro trazido da África como escravo, se junta com o mestiço local, daí surgindo multidões de crioulos e mestiços de toda a ordem por aqui.
Não podemos esquecer que, no período destes primeiros três séculos a fé movimentou de forma consistente a vida dos habitantes locais. O catolicismo jesuíta se junta com sincretismos de toda ordem e transformam a fé em uma manifestação santeira e festeira, muito importante para o desenvolvimento folclórico nacional.
O negro também contribuiu de forma definitiva para a disseminação da língua portuguesa, pois, os índios e jesuítas criaram uma linguagem própria e as etnias negras tinham seus dialetos, portanto, para haver comunicação deveriam aprender a linguagem do capataz.
Com a miscigenação “este” não era índio, nem branco, nem negro, então o que ele era? Seria identificado quando se definisse o que era um brasileiro.
Não demorou que neste território gigante a política libertária, não somente do povo como também da coroa portuguesa se manifestasse. Os inconfidentes, o Brasil agora imperial, a libertação dos escravos em um país miscigenado recebe levas de mão-de-obra européia e oriental, em São Paulo e Sul, forma-se novas ordens de desenvolvimento, incluindo industrial.
Mesmo com as adversidades provocadas pos séculos de história, o povo brasileiro se sente como um povo só. O regionalismo apresenta diferenças neste país continente, entretanto a urbanização contribui para uniformizar os brasileiros, porem, mantendo as suas diferenças.
Nossas regiões têm em si identidades próprias, mas o mais importante é que mostraremos tudo isso com os “olhos” de Darcy Ribeiro e como ele mesmo diz; “que bela história tem este povo brasileiro”.
Roberto Szaniecki
Carnavalesco
ABERTURA
O Carnaval do Rio de Janeiro celebra os 25 anos de inauguração do palco maior, a Passarela do Samba, popularmente conhecida como Sambódromo, mas que traz em seu batismo o nome do grande educador, antropólogo e político brasileiro, o saudoso professor Darcy Ribeiro.
Nós, Mangueirenses, formadores deste contingente que, a cada ano, temos a possibilidade de nos mostrarmos em nossa essência de “brasileiros”, utilizamos esse palco para contar e cantar nossa história, nossas tradições e nossas manifestações populares, pintando na avenida o retrato de nosso povo.
O “povo” é o nosso tema. O enredo é construído baseado no livro “O Povo Brasileiro” de autoria do antropólogo Darcy Ribeiro.
A maior expressão cultural consolidada de um povo vêm de seu folclore, portanto, nosso carnaval mostrará estas manifestações advindas das cinco regiões do país através de suas maiores festas, sempre repletas de simbolismos e com sua beleza tão diferenciada.
Neste super espetáculo das Escolas de Samba do Grupo Especial, podemos, através da fantasia, retornar ao passado para reviver o início da formação de nossa grande nação a partir das viagens para o novo mundo esmiuçando o avassalador contato dos que aqui chegaram com os habitantes nativos destas paragens.
1º SETOR: O INÍCIO DE UM NOVO POVO
Para entendermos melhor como nasceu nosso país para o mundo, voltaremos para a filosofia colonialista portuguesa dos séculos XV e XVI. Diferentemente dos espanhóis usurpadores e exterminadores de civilizações, a Coroa Portuguesa, até por sua pequena área geográfica, necessitava de terras para expandir-se, enriquecer e abastecer-se através de um comércio efervescente.
No Brasil não foi diferente, porém, para que este empreendimento prosperasse, vários fatores foram considerados. Entretanto, para nós, alguns deles serão irrelevantes. Nosso país cresce através dos séculos baseado em duas premissas: a primeira é a produção e a segunda, seguindo pela própria necessidade da primeira, é o assentamento deste povo neste solo produtivo.
A primeira visão do colonizador português ao aportar nestas novas terras o remete às visões mitológicas da época; o paraíso perdido aqui se encontrava. Deparou-se com um povo diferente, cuja nudez é comum, inocente. Vivia em total integração com a natureza, não existem roupas, moeda ou comércio, nada que se assemelhe com a organização civilizatória européia.
Esses índios são, nessa visão, parte integrante do paraíso, pois, somadas a exuberância da floresta com seus sons e suas cores, instigam fortemente a imaginação dos que aqui chegaram nestes primeiros tempos.
Entretanto, para se levar a cabo a nova empreitada, o processo civilizatório não seria tão fácil como se supunha.
Em pouquíssimo tempo a visão angelical se desfaz, dando lugar à nova percepção destes aborígines. Estes são organizados em sociedades comunitárias onde todos vivem para o bem comum, apenas plantando e extraindo da terra o essencial para sua própria subsistência, além da caça e da pesca.
Essas tribos também se rivalizam, tanto no comportamento quanto na forma de expressão, e essas diferenças os levam a constantes embates sangrentos, pois a arte da guerra era prática comum. A conseqüência desses confrontos horrorizava os portugueses e outros europeus que aqui chegavam, principalmente pelo destino que esperava os guerreiros vencidos, os “sobreviventes”, que seriam canibalizados, prática comum dada à crença de que ao comer os corpos dos guerreiros vencidos, sua força seria assimilada e dessa forma somada ao corpo dos vencedores, tornando-os mais fortes e corajosos. Isso acontecia em rituais e, curiosamente, com o total consentimento da vítima.
Neste início, a oferta de mão de obra branca era insuficiente para o novo projeto extrativista de pau-brasil e também para o plantio de subsistência, e, principalmente, quando se pensa em um projeto expansionista agro-pecuário.
O processo escravista indígena para tal fim não se consolida pelo simples fato de que o índio. Além de não se entender como mão de obra manipulável, resistiria de forma violenta, tendo em vista que jamais usou desta prática para com os seus e, dessa forma, não havia nenhuma razão para se deixar manipular pelo colonizador.
É o choque de culturas que, inicialmente, não são complementares; porém, em pouco tempo o seriam.
O branco rapidamente e por necessidade começa a assimilar os conhecimentos de sobrevivência dos índios. Aprende a reconhecer os alimentos da terra, fará uso da caça e da pesca e, aos poucos, implantará via importação o gado e a cana, que se mostra viável para este solo.
Uma alternativa para o impasse da utilização de mão de obra indígena se dá com a prática do casamento entre os portugueses e as índias. Este processo ganha o nome de “cunhadismo”, já que dessa forma, este branco passa a fazer parte da “família” e terá como vantagem poder usar seus familiares para empreender seus intentos produtivos. Os filhos destas uniões serão o embrião desta nova nação mestiça.
O expansionismo do ciclo do gado promovido por Garcia D’Ávila na Bahia, se dá com a chegada das reses de Vacuum vindas da África, que aqui se reproduzem e serão tocadas em direção ao interior da Bahia, ao nordeste e ao norte, por estes caboclos boiadeiros.
No litoral o plantio da cana faz-se expressivo. A mão de obra utilizada ainda é a escravista indígena e mestiça, o que nem sempre se dá de forma tranqüila e cordial.
A Coroa Portuguesa clama pelo aumento de produção e o modelo organizacional anda não se faz eficiente, principalmente no que diz respeito ao plantio.
Em paralelo, o processo civilizatório passa também por outra vertente; na visão do religioso europeu, através de suas “missões”, é preciso salvar e introduzir naquelas almas em danação, um pouco de paz e promover desta forma a fermentação da utopia da Igreja no novo mundo. Neste contexto não demora muito para que os interesses da Igreja colidam com os objetivos mercantilistas, agravando ainda mais o problema da falta de mão de obra para a demanda que ora se apresentava.
2º SETOR: O AFRICANO E O AFRO-BRASILEIRO
A mão de obra negra é introduzida no Brasil no final do século XVI para suprir as necessidades no plantio da cana para a exportação. As levas de negros se tornarão constantes até o século XIX, entretanto, no começo desta prática escravista não há distinção entre as habilidades dos negros que aqui aportavam, era apenas “carvão para ser queimado”, já que o raciocínio era baseado na labuta de sol a sol, sem que a importância da manutenção física deste contingente escravo fosse levada em consideração, pois era facilmente substituível.
Com a interiorização da colônia e seus novos assentamentos, as exigências do cotidiano aproximam-se do “modus-vivendi” da matriz européia. Fora aqueles que se aventuram a atravessar o Atlântico com a ambição em riquezas e aliado agora ao advento das sesmarias, não existe muita opção de trabalhadores para suprir os fardos habituais que se apresentam.
Neste ponto cabe explicar que os negros que aqui chegam vem de vários pontos diferentes da África, com seus próprios dialetos e suas habilidades diferenciadas. A primeira barreira a ser vencida será a da comunicação; os escravos não conseguem interagir inicialmente por falta de coesão lingüística, forçando os mesmos a aprender o parco, porém eficiente linguajar do capataz. Este receberá sonoridade um pouco diferente do praticado na Corte e assimilará palavras oriundas da raiz tupi. Esse mecanismo, ao longo dos séculos, tornar-se-á o principal instrumento da união nacional.
Os negros, adaptados ao novo modelo de viver, são cruciais quando da chegada de novos lotes para complementar os quadros serviçais, pois estes disseminam a forma de trabalhar, o comportamento e até o modelo sincrético de sua fé, sempre reprimido em contraponto a imposição cristã.
Levando em conta o cuidado tomado pelos compradores destes lotes nos quais poucas cabeças da mesma etnia se manteriam juntas com a finalidade de reprimir quaisquer formas organizacionais de rebelião, exemplificam a eterna tensão existente neste formato de sociedade. Por outro lado, outra forma classificatória se faz presente.
A colônia não se resume mais ao plantio da cana ou a criação de gado. O cenário muda para novas formas de obtenção de lucro. Com o ouro e as pedras preciosas além da expansão urbana, os negros, com seus conhecimentos adquiridos nas suas nações de origem, são aproveitados além da mão de obra bruta, sendo também aproveitados para toda uma nova gama de funções necessárias para o bom andamento destes núcleos.
Negros experientes no trato com a madeira, mineiros conhecedores de ouro e metais, artesãos construtores, escribas letrados e negros de bom trato para os serviços de contato direto com as gentes brancas.
Outra contribuição relevante se faz na culinária, intimamente ligada aos cultos religiosos, que se prolifera por todos os cantos do país onde existe a presença destas etnias.
Segundo pesquisadores citados por Darcy Ribeiro, são três grupos os que chegam da Costa Ocidental da África. O primeiro, da cultura sudanesa, compreende os Yorubás, Dahomey e os Fanti-Ashanti. O segundo traz grupos islamizados como os Peuhl, os Mandinga e os Haussa do norte da Nigéria e, por fim, o terceiro grupo é formado por Bantus vindos de Angola e do território que conhecemos hoje por Moçambique.
Sem essa organização no processo produtivo não teríamos uma melhor qualidade na manipulação do ouro, na cunhagem e no trato com as pedras preciosas, em destaque para os diamantes, tudo com o amplo direcionamento exportador.
No campo das artes mobiliárias e decorativas, os mestres artesãos ensinam seu ofício para uma verdadeira legião exclusiva de mãos talentosas; como conseqüência surge uma arte colonial peculiar lembrando em parte a influencia européia, mas com o nítido peso e beleza daquela cultura a qual se adapta e recria as formas impostas.
O sincretismo religioso finca uma nova manifestação de fé que num primeiro momento constrói toda uma nova visão de devoção que se tornará com o passar dos séculos uma demonstração peculiar e única da crendice e fé populares.
Enfim, usos, costumes e comportamento serão absorvidos e incorporados, mesmo sem nos darmos conta, ao nosso dia a dia, tal como aconteceu em relação ao índio.
3º SETOR: O BRASIL CRIOULO E CABOCLO
As diferenças ecológicas e os processos produtivos de cada região formaram como o próprio Darcy Ribeiro descreve, ilhas de desenvolvimento e protocélulas civilizatórias distintas em nosso território. A comunicação entre estas no início é inexistente, entretanto com o passar dos séculos e tendo sido processadas de forma muito parecidas, estas formações étnicas brasileiras, cada uma com porcentagens diferentes de matrizes, em dado momento, formaram o arquipélago assentado mais sólido e unificador nacional já visto no que diz respeito ao fluxo colonizador das Américas.
Nossa colônia-país sempre recebeu gente que de uma forma ou de outra chegaria para ficar, para se assentar, para por aqui viver e morrer. Portanto quaisquer que fossem os motivos, bárbaros ou não, se daria a tal miscigenação do povo brasileiro à seu tempo, formando o que já foi dito como protocélulas civilizatórias com a cara do Brasil.
Com o início da produção açucareira trazida com a experiência dos portugueses das Ilhas da Madeira e dos Açores por seus mulatos e, usando a tecnologia árabe que dominavam, além de encontrar por aqui o solo de massapé que propiciava o plantio, a veloz disseminação das áreas plantadas se fazia em ordem exponencial.
Surgem as cidades porto de Recife-Olinda e Salvador, compreendendo as faixas litorâneas de plantio do sul da Bahia até Pernambuco.
Analisando a adaptação do europeu e a destruição da massa indígena além de sua aculturação e assimilação, conclui-se que uma nova etnia se faz presente nessas áreas.
Com a chegada do negro, essencialmente mão de obra direcionada para o cultivo no campo, torna-se impossível não haver uma deterioração sócio-cultural desses negros e a sua assimilação engordando esta nova etnia brasileira típica amulatada.
Para esse Brasil crioulo, os movimentos de produção com o tempo tendem a se pulverizar em outras culturas como o fumo, o algodão, o anil e o cacau, que apesar de não serem tão importantes em relação a ganhos de exportação, não se dão com números desprezíveis, mesmo porque a eficiência das técnicas existentes garantia grande produtividade e qualidade.
Os caboclos são descendentes mais diretos de uma miscigenação branca e índia, onde particularmente o negro terá pouca influencia. Na história da região principalmente amazônica, está a chave desta etnia misturada.
Com as numerosas invasões ao longo do grande rio-mar por franceses, espanhóis e toda a sorte de pirateadores de produtos, faz-se necessário criar uma rede de proteção para as margens do Amazonas.
A densa floresta torna-se provedora de uma enorme variedade de especiarias, as quais o olho do europeu tanto cobiçava. Óleos vegetais, ceras de origem animal e vegetal e, por fim, a extração do látex das seringueiras promove a interiorização destes.
A adaptação do caboclo no trato do rio com a pesca, transporte e escoamento do fruto de seu trabalho, promove por fim o que se almejava: a proteção da malha ribeirinha e o sustento, mesmo que precário, deste contingente étnico diferenciado.
Durante quatro séculos as vilas e núcleos urbanos pouco prosperaram. Entretanto, com o advento da borracha houve investimentos maciços em Manaus e Belém do Para, transformando estas cidades em grandes metrópoles aos moldes europeus do inicio do século XX com uma velocidade espantosa. Para reforçar o processo extrativista da borracha, chegam também levas de nordestinos com o sonho de enriquecimento rápido, aumentando ainda mais a movimentação destas agora grandes cidades.
O declínio do látex força novamente o contingente trabalhador extrativista a viver na penúria e agora dependendo de forma efetiva do ecossistema e dos proventos que os rios oferecem.
Essa adaptação está tão enraizada neste povo que aos poucos são aqueles que querem largar seu modo de vida para aventurar-se em outras paragens.
O elo de ligação civilizatório passa obrigatoriamente pelos rios e neles trafegam os “regatões”, barcos armazéns que vem recolhendo os frutos da produção e trocam, na prática do escambo, por vezes por mantimentos, ferramentas, combustíveis e vestuário, conforme as necessidades mais prementes.
Esta prática não é para a maior parte dos logradouros algo muito constante, já que além das distâncias, o clima e o rio influenciam nas produções e os produtos adquiridos adaptam-se ao ritmo sazonal.
Por outro lado, as influências das matrizes que criaram este caboclo ainda se fazem presentes em seu comportamento e em suas expressões folclórico-culturais.
4º SETOR: O SERTANEJO
Para dentro das faixas litorâneas do nordeste de verdes florestas onde se praticam o cultivo do açúcar, estende-se outra área ecologicamente bastante diferente da primeira.
São as planícies do agreste, o semi-árido das caatingas e no Brasil central, os planaltos e cerrados extensos, todos propícios para a expansão do gado trazido inicialmente de Cabo Verde. Cuidados de forma solta, já que o vacum procurava seu pasto e suas aguadas, era definitivamente o ambiente ideal para sua reprodução.
Os canaviais estavam intimamente ligados à produção pecuária, pois dela saiam carnes, laticínios, força motriz e transporte para apoio da indústria açucareira.
Com a sua natural expansão rumo ao interior, promovida inicialmente na Bahia e em seguida por Pernambuco, um grande contingente é envolvido na empreitada já que estamos falando de 700 mil cabeças no final do século XVI.
Nos currais criados para pontuar o caminho do gado, viviam famílias inteiras com o apoio de aprendizes que zelavam pela boa serventia dos vaqueiros que chegavam e partiam constantemente e traziam consigo o sal e toda sorte de produtos que se faziam necessários para a subsistência.
A interiorização do gado no nordeste e norte chega às fronteiras da grande floresta amazônica e rumando em direção ao centro-oeste recebem também influencias da região pantaneira.
Etnicamente analisados, os sertanejos que inicialmente são descendentes de índios e brancos sofrem um processo de clareamento quando mestiços claros e brancos sem lugar nas plantações escravistas optam por fazer parte desta prática de pastoreio, mas, ainda em contato com indígenas no nordeste e no norte este clareamento não é muito notado. Já no centro-oeste os indígenas passam a ser um empecilho para a expansão das terras que seriam ocupadas por boiadas, provocando assim um branqueamento mais efetivo, porém com traços indígenas suavizados.
Ao longo dos séculos os sertanejos nordestinos que ocupam as terras áridas dos sertões sofrem com o meio-ambiente. Tornam-se mais baixos e atarracados, o mesmo acontecendo com o gado.
As distancias dos assentamentos com o tempo também se tornaram outro grande empecilho quando a demanda por bovinos já não interessava mais aos latifundiários levando essa gente à penúria e a utilização das cabeças de gado para o seu próprio consumo. Estes agora se tornam nômades a procura de trabalho e os fixados a terra tentam produzir apenas o suficiente para seu sustento.
Este povo sofrido cada vez mais se agarrará a mecanismos que o façam suportar suas agruras tornando-os fervorosos crentes na fé e em mitos europeus de salvacionismo, consolidando assim crendices e personagens tão diferentes neste universo agreste como santos, beatos e reis míticos.
Os sertanejos do centro-oeste terão outra sorte pois, sob as mesmas influências não serão tão fervorosos e crentes, até por não compartilharem o mesmo sofrimento dos nordestinos, já que o crescimento do gado e a sua distribuição prosperam a olhos vistos.
Para o goiano principalmente, o orgulho de pertencer a castas de vaqueiros habilidosos era uma meta a ser alcançada e, em suas manifestações de fé aos santos de devoção era prática a promoção de festas em agradecimento. Quanto aos mitos europeus sobrevive apenas o de D. Sebastião com a Cavalhada que conta à luta entre Mouros e Cristãos, agora aclimatados aos moldes do campo.
5º SETOR: O CAIPIRA
O começo de São Paulo é em tese a transfiguração do mameluco com vestes aos moldes europeus, em contraponto ao índio local.
Para melhor entender esse meio branco e meio índio altivo em seu pedestal que pratica o comércio escravo indígena, deve-se observar que, esta sociedade apresentada está curiosamente enraizada em uma organização patriarcal fundada em laços familiares e composta de agregados de origem indígena.
São visões dispares de uma relação com os aborígines próximos, tidos como exército, funcionando como parte da rotina provedora e, miscigenado ou não, usurpador de mão de obra tirada a força das missões do sul.
São os Bandeirantes e os Entradistas que solidificam uma sociedade não produtiva em relação a sua terra, porém mercantilista em relação a venda mundial de escravos. Assim nasce São Paulo para a Coroa Portuguesa.
Os Entradistas foram de enorme valia nas descobertas de aluviões com grande concentração de ouro e até diamantes. Primeiro na cidade de Taubaté, depois Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.
Com estes adventos a migração de escravos índios e negros da cana, abastados portugueses e a mais variada sorte de mestiços amulatados oriundos de todas as partes do Brasil formam um caldeirão de interesses jamais visto até aquela época.
Novamente a Igreja surge como organizadora social. Cada casta tinha sua própria igreja e seu calendário moldava o comportamento dos seus mediante as festas e o cotidiano trazendo traços de civilidade as novas vilas e cidades. Após quase dois séculos de exploração voraz do solo e das minas as cidades mais pungentes amargariam a mais descendente deterioração.
Os recantos que hoje entendemos por Sudeste, Centro-Sul, Centro-Oeste e norte da região Sul do país, sofrem com a evasão populacional que, sem alternativas para a manutenção de seu antigo status, são pulverizadas nos campos outrora produtivos de ouro e diamantes.
Surge o caipira, aquele povo que não mais participa do processo mercantilista e agora só produz para sua subsistência, com nacos de terra e produtos agro-pastoris, que de vez em quando serve como mercadoria de troca entre núcleos rurais.
A palavra de ordem agora é o mutirão; para abrir roçados, consertar casas e pontes ou para a parca colheita do feijão ou do arroz.
Estes caipiras estavam no limiar da pobreza, porém manteriam, mesmo sem um núcleo urbano efetivo, a dignidade não versada.
Esse quadro não distinguiria cor ou etnia, pois todos estavam envolvidos pelo mesmo modus-vivendi, incluindo a adaptação culinária e, como não havia a preocupação com a posse da terra em grandes produções exportadoras latifundiárias, as castas não se faziam tão antagônicas.
Com o surgimento dos novos cultivos comerciais de exportação como algodão, tabaco e depois o café, as regiões caipiras seriam reativadas.
Nesta altura todos estes núcleos tanto rurais quanto urbanos, falam o Português e de alguma forma mantém contato direto com a capital, agora transferida para o Rio de Janeiro.
Na nova reorganização latifundiária o caipira é expulso das terras que são novamente legalizadas para outras mãos que não as deles. Entretanto, surge a possibilidade de remuneração de seu trabalho na lavoura ou mesmo a de participar como meeiro ou terceiro no trato da terra, mas a exploração desta mão de obra aparece quase sempre como cruel, a ponto de que mesmo assalariado se compraria a toda uma leva de escravos negros que compunham os quadros de trabalho da fazenda ou de fazendas vizinhas. Esses mesmos caipiras veriam a seguir, após a libertação dos escravos em 1888, a implacável chegada de multidões de italianos, alemães, espanhóis e poloneses como colonos nas mesmas fazendas em que trabalham roubando-lhes seus brios e seus espaços.
Essa figura sem etnia definida é mostrada de forma caricata por Monteiro Lobato com o personagem Jeca Tatu, o que não compreende a verdade. Hoje podemos observar o que resta deste ser com seu jeito de viver e sem lugar na atual organização produtiva, como um bóia fria, que apenas luta pela sobrevivência sem nenhuma perspectiva de engajamento.
6º SETOR: OS GAUCHOS,
MATUTOS E OS BRASIS DO SUL
Ao abrirmos este capítulo, narramos a construção das missões as quais o método civilizatório originou um povo novo que não era guarani, pois perdeu sua identidade indígena e também não era europeu porque nem seu sangue tinha.
Era um ninguém, meio civilizado e organizado no trato do boi livre, principal fonte de alimento, no plantio de subsistência e na docilidade da assimilação religiosa.
Os paulistas bandeirantes ávidos por escravos para a exportação, chegando aos campos do sul enxergam toda uma nova possibilidade real de obter lucro, porque além do escravo também conduziria o gado para as paragens mineiras, necessitadas de transporte, alimento e força motriz.
Com a destruição das Missões do Sul restaram poucos remanescentes fujões, alguns paulistas que daquelas terras se agradaram e mestiços fortuitos que circulavam próximos ao Rio da Prata.
Surge deste abandono o gaúcho que disputa cabeças rodeadas de gado, cria cavalos e os domestica com habilidade e, por fim, laça e domestica muares para carga.
Nestas terras de ninguém com reses de ninguém, esse homem colherá seu sustento em plantações de cunho de subsistência e ao longo do tempo tratará o boi em pé, que se tornaria mais lucrativo.
O trato da carne agora charqueada e o couro e a necessidade de marcação de corredores de terras organizaram ao seu modo esta economia pastoril.
Com a chegada dos açorianos no litoral do Sul e regiões dos povos das Missões, Pelotas, Laguna, Campanha do Ibicuí e, ao sul, Coxilha Grande reforça a presença lusa na região, já que a metrópole tem grande interesse na região e os embates com os espanhóis são constantes.
A maior parte do contingente do exército brasileiro se concentra nesta parte fronteiriça do Prata já que ainda não há uma demarcação definitiva da geografia.
Novamente o mercantilismo ordena o povoamento e as demarcações; todos os esforços são voltados para a garantia da terra e da produção.
Os açorianos chegam subsidiados para a região. São concedidos sesmarias, ferramentas, sementes e animais para estes se assentarem. Entretanto, como produzir se não há para onde escoar a produção? O projeto torna-se um retumbante fracasso. Eles se voltam para a pesca e para atividades de subsistência passando a se chamar matutos. Sua passividade será posta a prova quando das guerras Cisplatinas e sua valorosa ajuda compreende a criação de postos de apoio na retaguarda das campanhas.
O Sul da vacaria e da mestiçagem consolida-se. As primeiras levas de gringos chegam na região: são italianos, alemães, poloneses, japoneses que prosperarão sob o signo do conhecimento no trato da terra e principalmente de uma cultura acima da média para o homem do campo.
7º SETOR: DESTINO NACIONAL
Os imigrantes assentados no Sul e Sudeste implantam métodos industriais e semi-industriais para a maximização da produção. A industrialização dos grandes centros continua a atrair migrantes da maior parte do país, principalmente nordestinos para quem sabe seguir o sonho de enriquecer.
O Brasil hoje é fruto de fusões de etnias aliado a uma não identidade direta com as matrizes e aí se incluem os imigrantes mais recentes que optam por abraçar o país como pátria com seus descendentes obviamente nascidos aqui e que honram sua terra natal, e incorpora em si mesmos o olhar das diferenças como iguais e se posicionando como aglutinadores da nação, por sua Língua, seu modo de pensar e viver, sem desconsiderar os fatores ecológicos de suas regiões e formações étnicas diferenciadas. Na visão utópica de Darcy Ribeiro, um dia plasmados seremos um só povo sem cor nem etnias, seremos brasileiros.
O maior exemplo desta afirmativa está na nossa maior festa popular, o Carnaval e dentro desta, o Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro que leva consigo o título de “MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA”.
A Estação Primeira de Mangueira, sendo tradução e sinônimo direto para Escola de Samba e Carnaval é o exemplo vivo dessa história. Basta dar uma pequena olhada em seus eventos, em seu desfile: uma massa humana que congrega em seu corpo um bocado dessa gente mestiça e pura, na maioria do Rio de Janeiro, mas que abraça os “de fora”, dos mais variados recantos do Brasil. Reflete de maneira inequívoca o pensamento do antropólogo Darcy Ribeiro quando assim como o país absorve em seu seio estrangeiros que serão “assimilados” e que, por sua vez, assimilam a alegria de estar envolto pelo Samba, fantasiado de criatividade em verde e rosa, participando um pouco que seja desta delirante utopia de igualdade que nos é tanto cara.
Nosso país se fez de sofrimento, pés descalços fincando-se no chão, misturando-se matrizes e variantes étnicas, lutando para conhecer-se e reconhecer-se como brasileiros, para si e para o mundo. Aprendemos ao longo de cinco séculos que conhecendo e praticando, primeiro a Língua Portuguesa que se impôs e nos aculturando de tudo o que está na nossa história e nos nossos costumes tão variados, podemos nos definir como nação em crescimento e eterna renovação.
A Mangueira também é isso, uma nação de sambistas e “sambeiros” apaixonados por este país continente e que sabe da sua responsabilidade de mostrar-se no Carnaval de 2009 cantando mesmo que de forma sucinta o Brasil e sua formação, na extraordinária visão relatada no livro “O Povo Brasileiro”.
Ao completarmos 80 anos, traduzimo-nos como povo. E o povo somos nós, desfilando na Passarela do Samba, que orgulhosamente ostenta o nome de Darcy Ribeiro e que alcança 25 anos. Pretensiosamente, contaremos esta saga que é a formação deste povo ímpar, “O Povo Brasileiro”.
R. Szaniecki
Baseado no livro “O Povo Brasileiro”
de Darcy Ribeiro
(Texto divulgado à Imprensa)
Presidente de Honra Roberto Paulino
Presidente Eli Gonçalves da Silva
Quadra Rua Visconde de Niterói, 1072 - Mangueira - Rio - RJ - CEP. 20943-001
Telefone Quadra (21) 3872-6786 / 3872-6787
Barracão Cidade do Samba (Barracão nº 13) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290
Telefone Barracão (21) 2518-8327
Carnavalesco Roberto Szaniecki
Enredo “A Mangueira traz os Brasis do Brasil mostrando a formação do povo brasileiro”.
Cores Verde e rosa
Internet www.mangueira.com.br
Imprensa Márcia Rosário – Tel.: 21-9132-2577/ 7822-0101
marcia@freecom.ppg.br
Unidos da Tijuca
"Tijuca 2009: Uma Odisséia sobre o Espaço"
Em 2009, a Unidos da Tijuca direciona toda a sua atenção para o céu e o espaço sideral, no intuito de mostrar a eterna fascinação e as indagações da humanidade, no que se refere ao espaço celeste.
Com ânsia pelo conhecimento, o homem, desde o início dos tempos, tenta decifrar os fatos relativos ao céu e ao firmamento.
De lá pra cá, de forma intuitiva ou científica, muitos questionamentos foram respondidos sobre o universo e o espaço. Ainda assim, a mente humana continua repleta de conceitos, suposições, perguntas e crenças.
E, neste Carnaval, o pavão voa bem alto e alcança as estrelas para, numa odisséia espacial tijucana, apresentar as diversas visões sobre o céu e o cosmo, presentes na imaginação e na realidade das pessoas.
Nesta deliciosa viagem pelo espaço, vamos visitar a morada dos deuses, mergulhar nas lendas e superstições ligadas aos astros, brincar com os heróis cósmicos das crianças, delirar com as aventuras dos filmes de ficção científica e conhecer fatos e instrumentos astronômicos da antiguidade e também da atualidade.
Com a cabeça no mundo da lua, vamos todos nos juntar à Unidos da Tijuca e reluzir com as estrelas, sambando com os astros no alvorecer da folia.
Pesquisa e texto: Julio Cesar Farias
(Texto divulgado à Imprensa)
Presidente FERNANDO HORTA
Quadra Clube dos Portuários – Av. Francisco Bicalho, 47 – Santo Cristo, Rio, RJ
Sede: Rua São Miguel, 430, Tijuca – Rio de Janeiro, RJ – CEP 20530-420
Telefone Quadra
Barracão Cidade do Samba (Barracão nº 12) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290
Telefone Barracão (21) 2263-9679 / 2516-2749
Carnavalesco Luiz Carlos Bruno
Enredo “Tijuca 2009: Uma Odisséia sobre o Espaço”.
Cores Azul-pavão e amarelo ouro
Internet www.unidosdatijuca.com.br
Imprensa Simone Fernandes – Tel. (21) 7843-8940 / simonefern@gmail.com
Viradouro
"Vira-Bahia, pura energia!"
Na mesma medida, é preciso mostrar que a Ciência que pauta seu saber pelos ensinamentos de Platão (...) de Sócrates (...) e de Aristóteles, (...) ou mesmo pelos ensinamentos do Eclesiastes bíblico, (...) essa Ciência talvez também pudesse guiar-se, acaso a conhecesse, pela visão de mundo contida no conjunto de muitos milhares de parábolas enfeixadas no corpo de ensinamentos do oráculo iorubano de Ifá.
Ney Lopes,
In “Afro-descendente com orgulho”
INTRODUÇÃO
Girou, girou, e era o povo de Olorum quem tinha razão!
O que é o biocombustível senão a consumação dos velhos ensinamentos dos Orixás africanos, que sempre lutaram para que os seus filhos compreendessem o Cosmo como relações produtoras de força, para o bem e para o mal?
Das águas salgadas de Yemanjá, mãe cujos filhos são peixes, os oceanos de clarividência.
O povo baiano herdou toda a sabedoria da ancestral oralidade africana. Já que a África hoje mora na Bahia, as atitudes baianas diante do funil poluído do progresso tecnológico, manifestam toda a sabedoria do orgânico feixe de conhecimento Yorubano, Gege e Banto.
E como o sistema de pensamento negro sempre valorizou a natureza, fazendo inclusive com que seus deuses encarnassem manifestações de forças da ecologia (vento, trovão, lama, cachoeira, arco-íris), era de se esperar que este respeito e reverência viessem desaguar nas terras do sem-fim, que este misterioso e fascinante estado é.
I – O bom fim....
O senhor do Bonfim (católico, sincretizado com Oxalá no Candomblé) abre seus braços de doçura e traz para a Marquês de Sapucaí a boa-nova do biocombustível. E como urgem as providências para encontrar saídas para mover motores do futuro, a baianidade se lança de corpo e alma nesta tarefa de melhorar a qualidade de vida dos habitantes do planeta Terra.
II – A Gira dos grãos prometidos...
Arrancar da agricultura o axé da energia vegetal, é voltar à terra-mãe-pátria-da-vida.
O biocombustível é divino porque evoca a divindade salvadora que a ecologia é! Ele nos contacta com Ossain e seus grãos, sementes, galhos, folhas, frutos, misturas. Vem daí Ewe, fórmula de salvamento através do verde, que manda moer a cana, a mamona, o dendê, o girassol, a canola, o pinhão-manso, e disto retirar bons fluídos para a vida. São as ervas que curam (neste caso até o mundo).
III e IV- O tabuleiro do progresso....
Temos, desta forma, uma nova versão do tradicional tabuleiro da baiana, que antes cantado em prosa e verso, apresentava guloseimas que sobravam dos trabalhos e oferendas nos terreiros, e hoje, em consonância com o terceiro milênio, apresenta-se repleto de esperanças por um ar menos poluído e por uma natureza em harmonia.
No tabuleiro do progresso tem... as pesquisas para revelar as poderosas fontes para a produção de biodiesel. Giram máquinas movidas ao óleo brasileiríssimo, e devemos celebrar.
V- Axé, o Protocolo do Bem é meu rei!
É a Bahia fazendo a sua parte, ajudando o Brasil (Ayê) a cumprir as metas do internacional Protocolo de Kioto, inatacável realização humana, visando a sustentabilidade através da renovação das matrizes energéticas, já que as antigas estão desaparecendo ou magoando o cosmo (Orum), que não custa lembrar de novo, sempre calou fundo na sensatez da alma da negritude.
VI- Um reciclado maculelê para Nanã...
A Unidos do Viradouro se une a este maculelê, que antes dançado pelos escravos nos canaviais das terras do recôncavo, com toras da cana-de-açúcar, agora festeja a utilização do bagaço da cana para esquentar as caldeiras.
Bagaço é lodo, lama, limbo, morada de Nanã. Do velho abandono, a experiência sábia e tranqüila de força inimaginável. Bagaço é vovó que deve ser ouvida, pois viveu, produziu e tem muito o que contribuir.
Se já tínhamos o álcool, o etanol, agora nos esmeramos mais ainda para não desperdiçar nada. Do lixo, um luxuoso calor para esquentar os corações do carnaval carioca.
VII- No encontro de Orum/ayê, as usinas que processam pura-energia....
Aurora e crepúsculo afro-baiano, jorrando sapiência e ação: busquemos a terra (ayê) para manifestar Orum.
Sentemos embaixo do Baobá. Deixemos viver as borboletas, respiremos o ar puro, fitemos a fogueira e deste fogo fátuo antenemos a cadeia da noite, antecessora do dia.
Viradouro faz, às três da manhã, última e primeira, o encontro de Orum/Ayê na Avenida Marquês de Sapucaí.
VIII- A chuva vermelha e branca da bonança nas lavouras....
Terra, sol e gente para trabalhar a Bahia tem de sobra. Para que não falte chuva, encerramos este canto de fé e tributo às verdes energias, pedindo que Xangô e Yansã, das cores de nossa agremiação, tragam do infinito, para encerrar os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, seu trovão da bonança.
Todos os Deuses da sagrada Bahia sempre souberam que mais cedo ou mais tarde, todos nós, seus filhos, nos acordaríamos e entenderíamos que, sabendo cultivar, a natureza tudo nos dará.
Presidente Marco Lira
Quadra Avenida do Contorno, 16 - Barreto - Niterói - RJ - CEP 24110-205
Telefone Quadra (21) 2628-7840
Barracão Cidade do Samba (Barracão nº 02) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290
Telefone Barracão (21) 2516-3171 / (21) 2516-1301
Carnavalesco Milton Cunha
Enredo Vira-Bahia, pura energia!
Cores Vermelho e brancp
Internet www.unidosdoviradouro.com.br
Imprensa Eliane Lorca: (21) 9919-8131 / 2516-3171 / elianelorca@gmail.com
Enredos retirados do site Liesa - Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro