CURIOSIDADES





DATAS DO CARNAVAL

O primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Ou, o primeiro domingo após a lua cheia, posterior ao equinócio da primavera é o domingo de Páscoa. Se o 14º dia da lua nova ou da lua cheia posterior ao equinócio da primavera cair no dia 21 de março e for sábado, o domingo de Páscoa será no dia 22 de março. Entretanto, se a primeira lua cheia, isto é, o 14º dia após o equinócio da primavera for 29 dias, depois do 21 de março, o domingo de Páscoa só poderá ser 25 de abril, isto é, o mais tarde possível. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março se situa necessariamente, entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode cair entre 22 de março e 25 de abril.

O domingo de carnaval cairá sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa.





Há vários anos atrás, antes que a idade obrigasse Carlos Cachaça a passar os dias quase sempre dentro de casa, um jornalista telefonou querendo falar com o compositor mangueirense. Dona Menininha, esposa do poeta, atende:
- Alô!
- De onde falam?
- É da casa de Carlos Cachaça.
- Ele está?
- Não, meu filho. Ele está pela rua fazendo juz ao nome...

Aqui vai uma de Nelson Sargento, figura rara, artista de imenso valor, memória viva do samba: certa ocasião, em um dos encontros com o amigo Cartola, cantou-lhe algumas músicas inéditas. Cartola achou-as muito bonitas e perguntou de quem eram. Nelson Sargento respondeu: "São suas". E emendou: "Se me der parceria canto mais umas dez que você não lembra". É claro, na brincadeira.





Num fim de tarde estavam Noel (Rosa) e Ismael (Silva) conversando na Galeria Cruzeiro quando chega alguém e bate no ombro de Noel.
- Noel, Noel Rosa! Que bom você estar aqui! Estava mesmo à sua procura!
O sujeito tira do bolso uma folha amassada de papel dizendo que acabou de fazer um Samba que precisa só de pequenos retoques. Coisa boa. Francisco Alves ou Carmen Miranda iriam querer gravar...
- Será que você me dava uma ajuda?
O sujeito canta o Samba. Noel e Ismael ouvem atentos. Noel, nas folhas amassadas, vai fazendo os retoques. Tira daqui, acrescenta dali, modifica umas passagens melódicas e pronto. Noel canta para o "autor" o novo Samba. O homem e Ismael ficam assombrados.
- Obrigado, Noel. Era isso mesmo que estava faltando.
E o sujeito se vai. Ismael, ainda impressionado, diz que o Samba ficou realmente muito bom.
- Você nem tirou cópia.
- Deixa pra lá.
- E o camarada, quem é?
- Não sei. Nunca o vi antes.




Em março de 1963, Jacob do Bandolim, dono de ouvido apuradíssimo, enviou uma carta a Sérgio Cabral onde, ao traçar alguns comentários sobre a bossa-nova, contou a seguinte passagem:
"... Quando, pela primeira vez, ouvi o Chega de Saudade e soube que era de Tom Jobim, senti que algo havia errado. Graças a Lúcio Rangel, com ele travei conhecimento no Bar Zeppelin e, inopinadamente, perguntei-lhe como era, realmente, aquele Samba. Jobim, surpreendido, respondeu: "Como é que você sabe que as 17 gravações que dele já existem estão todas erradas?" ... E o Lúcio, quando o ouve como é, por um bandolim, dois violões e um cavaco, sente sádicos prazeres. É simples obter tal efeito: basta acompanhá-lo à brasileira..."

1956. Ary Barroso recebe a boa notícia de que Jamelão entrava na parada de sucessos com a gravação de Folha Morta. O êxito deste disco não deixou de ser uma surpresa, já que se esperava, na verdade, o sucesso da gravação de Dalva de Oliveira, um nome, na época, bem mais popular do que o do cantor. Além disso, Jamelão trocou uma palavra na letra de Ary Barroso (em vez de "pagar minhas penas", cantou "mostrar minhas penas"), cometendo o mesmo erro da gravação de Dalva e que seria repetido em várias gravações posteriores. Quando o disco saiu, Jamelão levou-o a Ary Barroso, pois estava muito animado com a gravação e queria a aprovação do exigente autor. Após ouvirem juntos, Ary comentou:
- Você tem razão. A gravação está excelente. Mas eu não posso "mostrar" minhas penas, Jamelão! Não sei se você já percebeu, eu não tenho penas, Jamelão! Eu sou um animal implume, Jamelão!